Uvas finas garantem qualidade

Variedades européias como chardonnay, pinot noir e riesling italico se adaptaram, mas exigem manejo diferenciado

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 03h57

As principais variedades cultivadas no Brasil para a produção de espumantes finos são chardonnay, pinot noir e riesling italico, que se adaptaram bem à Serra Gaúcha. A maior produção atualmente é de riesling italico, que tem alta acidez, boa produtividade, regularidade de produção e bom comportamento em relação às pragas e doenças. "A variedade também é usada na produção de vinho branco fino, mas a maior parte está sendo destinada para fabricação de espumantes, porque o mercado está melhor", diz o pesquisador da Embrapa, Umberto Camargo. O cultivo de chardonnay e pinot noir - variedades francesas que formam o blend clássico para a produção de champanhe no mundo todo - é um pouco mais difícil, por isso perdeu espaço nos últimos anos. A produtividade da chardonnay é inconstante e a brotação, precoce. "Entretanto, essa uva tem uma qualidade especial para a produção de espumantes", diz Camargo. O pinot noir tem boa fertilidade e produtividade mais constante. "Mas se houver muita ocorrência de chuva no período de maturação é facilmente afetada pela podridão no cacho." ORGÂNICO Mas a variedade que vem ganhando espaço nos parreirais gaúchos é a BRS Lorena, variedade tipo moscatel, lançada pela Embrapa em 2002. Em 2005, de acordo com dados da Embrapa, foram processadas 565 toneladas da variedade. Em 2007, esse número saltou para 3,3 mil toneladas. Conforme Camargo, o cultivo cresceu muito rápido porque é uma variedade resistente, com custo de produção equivalente a uma variedade de uva comum e que proporciona um espumante de boa qualidade. "Não dá para comparar com o grau de fineza do chardonnay, mas a lorena tem qualidade apreciada pelo consumidor brasileiro." A rusticidade da variedade também está tornando possível a produção de espumante orgânico. Recentemente, a Cooperativa Vinícola Garibaldi lançou o Espumante Da Casa Orgânico Doce, produzido com a variedade lorena. Dos 3 hectares de uva orgânica de sua propriedade em Bento Gonçalves, o produtor Rafael José Tomasi destina quase 1 hectare para o cultivo de lorena. "É muito difícil cultivar as variedades para espumante no sistema orgânico. Sempre temos perdas. Mas por enquanto compensa porque a uva orgânica tem valor agregado", diz Tomasi. Enquanto a cooperativa paga R$ 0,46 por quilo de uva lorena convencional, o produtor recebe R$ 0,90 pelo quilo da lorena orgânica.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.