Vacina da gripe pode diminuir morte fetal

Apesar dos benefícios, a cobertura vacinal não tem alcançado bons resultados

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2016 | 04h00

Em tempos de surto da gripe provocada pelo vírus H1N1, um novo estudo australiano mostra um benefício adicional trazido pela vacinação: ela pode reduzir em até 50% o número de natimortos – morte fetal a partir da 20.ª semana de gestação.

A pesquisa, realizada pela Universidade do Oeste da Austrália e publicada no Clinical Infections Diseases Journal, avaliou quase 60 mil nascimentos entre 2012 e 2013. Em muitos países, como é o caso do Brasil, do Reino Unido e da própria Austrália, a vacina contra gripe é oferecida, gratuitamente, na rede pública de saúde, para mulheres grávidas. Além delas, idosos, portadores de doenças pulmonares crônicas, profissionais da saúde e pessoas com deficiência imunológica também devem proteger-se.

Os especialistas, anteriormente, já recomendavam que gestantes se imunizassem contra gripe porque a vacina reduz o risco de complicações como parto prematuro e baixo peso ao nascimento, além de diminuir a chance de o bebê desenvolver gripe nos primeiros meses de vida. O novo trabalho sugere uma redução também no risco de morte do feto.

A observação dos dados do estudo mostrou que as mortes fetais aumentavam depois de surtos e epidemias de gripe e diminuíam nos meses anteriores ao inverno – ou seja, antes da “estação da gripe”. Depois da grande pandemia de H1N1, em 2009, em que a vacinação contra gripe atingiu grande cobertura, o número de natimortos caiu de maneira significativa. Os dados foram divulgados pelo jornal inglês Daily Mail.

Apesar dos benefícios evidentes, a cobertura vacinal das grávidas não tem alcançado bons resultados em muitos países e vem caindo ano a ano. No Reino Unido, por exemplo, no inverno de 2015/2016, apenas 42% das gestantes se vacinaram. No ano anterior, foram imunizadas 44% das grávidas.

É bom lembrar que a gravidez expõe as mulheres a riscos aumentados de problemas respiratórios e pneumonia. Daí a importância, também para as mães, da vacina contra gripe, ainda mais quando se sabe que o H1N1 (um vírus potencialmente mais agressivo) está circulando mais neste ano. Os especialistas avaliam que muitas mulheres têm receio de se vacinar por medo de eventuais riscos para o feto. No entanto, eles alertam que os estudos atuais mostram que a vacina contra gripe é segura (tanto para mãe como para o bebê) durante qualquer estágio da gravidez.

Surto de gripe. No Brasil, o aumento do número de casos de gripe, que, em geral, acontece nos meses de inverno (quando as condições ambientais favorecem a disseminação dos diversos vírus), começou bem mais cedo em 2016. Em movimento inverso, no Hemisfério Norte, que tende a registrar uma diminuição da gripe a partir de janeiro, aconteceu um prolongamento da doença. Em março deste ano, o número de casos não caiu. Os especialistas já falam em uma espécie de “surto de primavera”. A gripe persistente na Europa e nos Estados Unidos pode ter relação com a antecipação do H1N1 por aqui, uma vez que as pessoas que viajam para essas áreas continuam sendo expostas ao vírus. Neste ano, o comportamento da gripe parece ter adquirido uma nova dinâmica, o que está intrigando os pesquisadores.

Como divulgado na semana passada pelo Estado, o laboratório Sanofi Pasteur (um dos que produz a vacina quadrivalente contra a gripe, que inclui o H1N1) decidiu antecipar em duas semanas a importação dos produtos para as clínicas privadas. A GSK, o outro fabricante, diz que seu produto já está no mercado desde o fim de março. Já a vacina oferecida pelo SUS é produzida pelo Instituto Butantã e deve estar pronta para distribuição em breve. A vacinação se inicia, em geral, no dia 30 abril, mas vários Estados, incluindo São Paulo, onde a situação é mais crítica, estudam a antecipação da data (a depender da disponibilidade de lotes enviados pelo Ministério da Saúde) já para as próximas semanas.

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