Vacinas contra H1N1 podem alterar teste de HIV no laboratório

Anticorpos causam falso positivo para vírus da Aids e hepatite, mas exame de confirmação obrigatório não é afetado

, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

A vacina contra a gripe suína pode interferir nos testes de HIV e hepatite, provocando, no laboratório, resultado positivo para os vírus da doença mesmo que a pessoa não esteja infectada. No entanto, teste confirmatório posterior, obrigatório no Brasil antes da liberação do exame positivo de HIV para o paciente, não é alterado, o que impede que as pessoas recebam um falso positivo para o vírus da Aids.

O problema, segundo o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, foi descrito em artigos científicos e gerou um alerta para profissionais de saúde no início do ano. Ontem, foi explicado à população pela pasta depois de o informe ter se tornado notícia em sites.

Segundo enfatizou ainda o ministério, nenhum paciente chegou a receber o resultado positivo por engano.

"Esse resultado falso chega para o laboratório, não para a pessoa (que fez o exame)", informou a assessoria de imprensa da pasta.

Também vacinas de gripe podem causar a alteração, informaram ainda os especialistas.

"As pessoas que se vacinaram e tiverem de fazer o exame devem aguardar 30 dias.

Caso seja uma questão de urgência, como as grávidas, devem avisar que foram vacinadas", sugeriu o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ontem no Rio, durante entrevista sobre a vacinação.

Bula. A interferência ocorre porque a vacina contra a gripe aumenta a produção de um anticorpo que confunde o teste Elisa, o primeiro usado para a detecção do HIV, o que não ocorre com a contraprova feita por meio do exame Western Blot.

"O Elisa é um exame muito sensível, que detecta muitos tipos de infecção. Já o Western Blot é mais preciso", explicou o infectologista Edmilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Isso vem escrito até mesmo na bula", acrescentou o especialista.

De acordo com Migowski, o prazo ideal para que o sistema imunológico não acuse a infecção pelo vírus sem ela existir de fato é de três meses.

Até o momento nenhum tipo de evento adverso grave foi relacionado à vacina no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Um total de 62,8 milhões de doses já foram aplicadas, uma cobertura de 70% da meta estabelecida pelo governo.

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