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Nova pesquisa holandesa mostra que as oscilações emocionais tendem a passar com a chegada aos 18 anos. Em contrapartida, problemas com a ansiedade podem aumentar

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2015 | 03h00

Se você anda preocupado ou sem paciência com os altos e baixos do seu filho adolescente, tente se acalmar! Nova pesquisa holandesa mostra que as oscilações emocionais tendem a passar com a chegada aos 18 anos. Em contrapartida, problemas com a ansiedade podem aumentar.

Pesquisadores das universidades Vu (Amsterdã), de Utrecht e de Tilburg acompanharam quase 500 jovens de 13 a 18 anos. Durante três semanas, ao longo de cinco anos, eles deveriam anotar suas emoções e seu humor em uma espécie de diário virtual. O trabalho foi publicado no periódico Child Development e divulgado pelo jornal inglês Daily Mail.

Raiva, tristeza e alegria são exemplos de alterações do humor que se estabilizam com a entrada na vida adulta. Para os especialistas, a adolescência é mesmo uma fase de regulação das emoções. Situações inéditas como namoro, início da vida sexual, brigas com os pais por questões de liberdade e autonomia, além da imaturidade para lidar com esses novos desafios, podem fazer com que os jovens entrem em uma verdadeira montanha-russa de sentimentos. Com a idade, eles aprenderiam a lidar melhor com essas novidades e eventuais conflitos.

Um dado do estudo mostra que as garotas tendem a oscilar mais intensamente do que os meninos. Além de pressões extras que muitas delas enfrentam por questões culturais (como o machismo, por exemplo), é bom lembrar que as variações hormonais durante o ciclo menstrual podem, também, ter um peso. 

A única emoção que, de acordo com o estudo, não melhorou ao final da adolescência foi a ansiedade. Isso sugere que adaptações à vida adulta, como saída da escola, ingresso na faculdade ou busca por um trabalho (que marcam uma fase de mais responsabilidade) podem interferir nesse aspecto do comportamento.

Os especialistas alertam que, se as oscilações continuarem de forma importante a partir dos 18 anos, seria boa ideia procurar a avaliação de um profissional, como um psicólogo ou um psiquiatra, já que elas podem indicar uma maior dificuldade deles em lidar com suas relações interpessoais na vida adulta.

Sono, álcool e direção. Possíveis impactos tanto da ansiedade como das oscilações extremas do humor são o abuso de álcool e a qualidade do sono. Um novo trabalho, divulgado na última semana, durante a Conferência de Segurança nas Estradas da Australasia, pelo site Medical News Today, mostra que eles são os principais responsáveis pelos acidentes de carro.

Na região de Queensland, Austrália, 20% dos acidentes fatais nas estradas são provocados pela associação de álcool e direção, enquanto que em 15% das vezes a grande responsável é a falta de sono adequado antes de assumir o volante.

Dormir mal, de acordo com os pesquisadores do Centro QUT de Pesquisa sobre Acidentes e Segurança nas Estradas, pode ser tão devastador para a atenção, coordenação motora e para a capacidade de se concentrar no trânsito quanto a bebida. Para eles, o mais grave é que os jovens não têm essa percepção.

Foram entrevistados 114 jovens condutores e outros 117 com mais de 30 anos. Para os mais novos, é mais comum guiar depois de não ter dormido do que após ter ingerido álcool. Além disso, eles se mostraram mais suscetíveis a aceitar intervenções em relação a beber e guiar do que sobre os impactos do sono sobre a direção. 

Os mais novos enfrentariam risco ainda maior dos impactos da falta de sono do que os mais velhos, em função das características de desenvolvimento do seu ciclo de vigília e sono, que amadurece na vida adulta. Além disso, a população mais jovem tem participação importante em boa parte dos acidentes de carro. 

JAIRO BOUER É PSIQUIATRA

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