Vai uma dose de frango?

Atribuir à Creppe Suzette a culpa pelo excesso de álcool no organismo não vai dar certo: é quase impossível ficar alto só porque o prato leva um pouco de bebida. Vá sem medo (e volte dirigindo) aos coqs e sobremesas

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2008 | 04h03

Na dúvida, a ciência. O Paladar usou um bafômetro para testar grandes pratos que têm álcool entre seus ingredientes. Sem blitz, sem multa, sem risco de prisão, foram avaliadas algumas receitas que levam vinho, cerveja ou outras bebidas. O resultado foi um tipo diferente de dor de cabeça: uma ressaca pré-alcoólica. Logo no início da pesquisa, os restaurateurs ficaram preocupados com o possível resultado positivo de seus pratos, o que induziria os clientes - que já andam desistindo das garrafas de vinho - a se contentar com couvert e salada. Depois, o bafômetro adquirido pela reportagem insistiu em apontar como nula a quantidade residual de álcool, o que provocou uma certa desconfiança, pois a aferição poderia ser diferente da feita no aparelho da polícia. Mas enquanto as autoridades policiais e industriais não chegavam a um consenso, prosseguimos com a pesquisa, agora nos meios acadêmicos, e chegamos a duas conclusões. A primeira é que a molécula de etanol é muito instável e, ao passar por um processo de cocção, é das primeiras a se volatilizar. Tradução: o álcool fervido vai embora quase inteiramente, assim como o flambado, deixando apenas o sabor. ''A concentração de etanol nesses pratos é mínima e vai decrescendo à medida que o álcool é absorvido pelo organismo'', diz Alberto Sabbag, médico e diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). Mesmo sem as fórmulas químicas, os cozinheiros sempre entenderam as regras da panela. É muito improvável que alguém seja punido por ter comido coq au vin, crêpe suzette, boeuf bourguignon, zabaione - a não ser que peça um vinho para acompanhar. A segunda conclusão: se você estiver pensando em comprar um etilômetro (nome oficial do bafômetro), desista da idéia. Compre uma garrafa de Château Latour 1982 e abra em casa: custa os mesmos R$ 6 mil de um bafômetro como o da polícia, o oficial. A maquininha comprada pelo Paladar, mais barata, é imprecisa. Os R$ 400 que custou seriam mais bem gastos com um Borgonha amigável do que com índices que não apontam a gradação exata de álcool no sangue. LA CASSEROLE Coq au vin 4 porções 1 hora Camarões flambados Ingredientes 20 camarões limpos; 200g de aspargos verdes; 200g de tomate débora; 8 corações de alcachofra; 120 ml de pastis; 40g de salsinha picada; 40g de ciboulette; 40g de tomilho; 40g de alecrim; 80 ml de azeite para o tomate e 80 ml para os camarões; sal e pimenta Preparo Em uma assadeira, coloque os tomates cortados em quatro (sem sementes), com azeite, sal e ervas. Leve ao forno preaquecido a 150°C até que fiquem dourados e amolecidos. Reserve aquecidos. Cozinhe os aspargos em água fervente com sal por 3 minutos, resfrie em gelo e reserve. Corte os corações de alcachofra ao meio. Tempere os camarões com sal e pimenta e doure-os em uma frigideira com azeite quente. Flambe os camarões, os aspargos e a alcachofra com pastis. Sirva os camarões com os aspargos, tomates e alcachofras e regue com o molho da frigideira.

Mais conteúdo sobre:
creppe suzzete coq au vin

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.