Vale diz que clientes não respeitaram contratos no ano passado

O presidente-executivo da Vale, Roger Agnelli, afirmou nesta segunda-feira que muitos clientes da empresa deixaram de honrar os contratos em meio à crise no ano passado, o que está levando a companhia a mudar a forma de fixar os preços para 2010.

REUTERS

29 de março de 2010 | 19h40

"No ano passado, a Vale segurou um rojão muito pesado, muito pesado. Porque aquilo que a gente tinha como segurança, que eram os contratos de longo prazo, boa parte dos clientes simplesmente falaram: olha, o mercado mudou, então não tem contrato", afirmou Agnelli a jornalistas após evento em São Paulo.

"E agora eu também estou na condição de dizer o seguinte: o mercado mudou, então está faltando minério", acrescentou.

As fortes declarações do executivo mostram a intensidade da negociação sobre os preços para o minério de ferro em 2010.

Em 2009, após a demanda por aço despencar em meio à crise econômica global, as siderúrgicas, segundo Agnelli, abandonaram o compromisso do contrato de longo prazo anual, com preço fixo, e foram comprar minério no mercado à vista (spot), que estava com valores bem inferiores aos do contrato referencial.

Agora ocorre o inverso, já que a forte retomada da demanda, principalmente na China, fez o mercado à vista subir para praticamente o dobro do valor do contrato de longo prazo.

Agnelli também fez pesadas críticas às siderúrgicas europeias, reunidas na Eurofer, que ameaçaram denunciar a estratégia da mineradora brasileira em órgãos de defesa da concorrência.

"O pessoal da Eurofer esqueceu que o período de colonização acabou. Aquela fase dos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos produzirem para sustentar ou subsidiar o bem estar deles acabou. A gente tem que olhar com praticidade e eles mesmo defendem isso. Mercado é mercado."

Agnelli confirmou que a Vale busca contratos que possibilitem reajustes trimestrais, acompanhando a variação no mercado à vista.

"Os reajustes trimestrais a gente entende como positivos. Temos conversado com nossos clientes e eles têm sido compreensivos."

Ele, no entanto, não falou sobre o percentual do eventual reajuste no preço do minério de ferro.

Informações que circulam no mercado colocam o aumento em cerca de 100 por cento. O jornal japonês Nikkei informou nesta segunda-feira que a siderúrgica local Nippon Steel e a sul-coreana Posco teriam alinhavado um acordo com a Vale com alta de 90 por cento para o minério de ferro para o período de abril a junho.

Questionado sobre a oposição dos chineses em relação à nova sistemática proposta, assim como ao nível de reajuste pedido, Agnelli criticou os produtores de aço do país.

"Boa parte deles é que não respeitaram o contrato (no ano passado)", afirmou. "Essencialmente a gente tem que colocar o seguinte: é mercado."

(Reportagem de Marcelo Teixeira)

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