Vale e Aço Cearense planejam usina de US$ 750 milhões

Empresas assinam memorando para construção de uma laminadora de aço no Pará

Irany Tereza, RIO, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2009 | 00h00

A Vale assinou ontem, no Pará, memorando de entendimento com o Grupo Aço Cearense para construir uma laminadora de aço que processará o aço bruto produzido pela Aços Laminados do Pará (Alpa), siderúrgica que será instalada em Marabá pela Vale. O diretor de siderurgia da mineradora, Aristides Corbellini, explicou que a Vale permanece sozinha na construção da usina de placas do Pará, investimento orçado em US$ 2,76 bilhões.

A parceria com a Aço Cearense diz respeito apenas à segunda parte do projeto. Corbellini afirmou que a mineradora não tem, agora, interesse em iniciar negociações para atração de sócios para a primeira fase do empreendimento. "Neste momento vamos tocar este projeto (usina de placas) sozinhos. É um projeto estruturante para o Pará, um projeto de extrema importância para o País, prioridade nacional", disse.

Nos últimos meses, a Vale sofreu intensa pressão do governo por novos investimentos no País, especialmente no Pará, onde está situado o principal complexo da mineradora, Carajás. Chegou-se a especular a substituição do presidente da mineradora, Roger Agnelli, numa ação que teria influência direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Corbellini, porém, desvinculou totalmente o anúncio da siderúrgica paraense dos recentes episódios.

"Isso não está nem em discussão. A Alpa já foi anunciada há muito tempo. O presidente Roger Agnelli prometeu isso ao presidente Lula, à ministra (da Casa Civil) Dilma (Rousseff) e à governadora Ana Júlia (Carepa, do Pará)", desconversou o executivo.

A unidade de laminação terá capacidade para produzir 710 mil toneladas de laminados a quente por ano, 450 mil toneladas de laminados a frio e 150 mil toneladas de galvanizados. Até abril de 2010, as empresas desenvolverão um estudo de viabilidade econômica para implantar o projeto, que envolverá investimento total de US$ 750 milhões. Caberá à Vale elaborar o projeto básico da laminadora.

A usina de placas será de inteira responsabilidade da Vale. "É claro que, se a qualquer momento, alguém quiser entrar de sócio, poderá entrar. Não somos siderurgistas. Mas o que nós não queremos neste momento é começar longas negociações com empresas que só acabam atrasando o projeto e depois não se faz nada, como aconteceu no Maranhão", disse Corbellini. No Maranhão, a Vale negociou por muito tempo a instalação de uma usina com a chinesa Baosteel, que acabou não saindo do papel, assim como outro projeto, no Espírito Santo.

Segundo e executivo, a Alpa está com o cronograma em dia. "Já recebemos todos as propostas técnicas dos grandes pacotes da usina: pelotização, coqueria, matéria-prima, alto-forno, aciaria, lingotamento contínuo, todos em fase de análise", disse. As propostas comerciais começam a ser avaliadas em janeiro a intenção da Vale é concluir o estudo de viabilidade no final de abril, para que o conselho de administração dê o aval ao investimento.

"Já entregamos o EIA Rima para a governadora no mês passado e vamos ter a licença prévia em abril do ano que vem, a licença para iniciar a terraplenagem em junho, e as obras industriais em outubro do ano que vem", disse. "O conselho de administração vai referendar essa decisão quando o estudo de viabilidade estiver completo e toda a engenharia estiver pronta. Os sócios serão bem-vindos, mas os planos de implantação, o cronograma e os investimentos serão conduzidos pela Vale", disse o executivo.

Já o projeto da laminadora, batizado provisoriamente de Aline, seguirá paralelo ao da Alpa. A Vale ficará com uma fatia de 25% da nova empresa e a Aço Cearense ficará com 75%, caso o projeto seja levado adiante. A partir da criação da empresa, o Grupo Aço Cearense ficará responsável pela implantação, operação e comercialização dos produtos. A empresa tem sede em Fortaleza e atua há 30 anos no mercado de aço. Com base no ranking do Instituto Nacional de Distribuidores de Aço (Inda), desde 2008 o grupo é o maior distribuidor independente do Brasil e o segundo maior considerando-se os distribuidores ligados às siderúrgicas.

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