Vale investe em infraestrutura

Mineradora anuncia que vai destinar US$ 3,5 bilhões em 2010 para projetos de logística e de energia

Alessandra Saraiva, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2009 | 00h00

A Vale deve investir em torno de US$ 3,5 bilhões em empreendimentos de infraestrutura em 2010. A notícia foi confirmada ontem pelo diretor de Relações com Investidores da Vale, Roberto Castelo Branco. "Infraestrutura não é nosso principal negócio, mas é muito importante para nossa competitividade no mundo", comentou o executivo.

Em palestra no 1ºº Congresso do Instituto Nacional dos Investidores (INI), realizado no fim de semana no Rio, o executivo detalhou o plano de investimentos para 2010. Do total destinado à infraestrutura, cerca de US$ 2,6 bilhões serão usados em projetos de logística e em torno de US$ 834 milhões em empreendimentos de energia.

A Vale e suas empresas controladas forma o maior grupo consumidor de energia elétrica do País. A empresa integra consórcios em seis usinas hidrelétricas, que geram 1.422 megawatts de energia. Mais uma, a de Estreito, no rio Tocantins (Maranhão), deve entrar em operação no ano que vem, com capacidade para 1.087 megawatts. Com a autogeração, a Vale reduz consideravelmente seus custos de produção.

Castelo Branco também citou alguns projetos no qual a empresa já está envolvida, como a construção de um píer no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, que faz parte do projeto de minério de ferro de Carajás Serra Sul (PA). Mas, após sua apresentação, não deu mais detalhes sobre os investimentos para o próximo ano.

CRÍTICAS

Em outubro, a Vale já havia anunciado que os investimentos totais para o próximo ano ficariam em torno de US$ 12,9 bilhões. O comunicado ocorreu em meio aos rumores de descontentamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto ao pouco volume de investimentos da empresa no País durante a crise internacional.

Também presente ao evento, o analista da Vince Partners, Pedro Batista, comentou que o mercado e os investidores ficaram atentos aos rumores. Também disse que houve preocupações em relação a "até que ponto o Estado pode estar interferindo nas empresas".

A revisão dos investimentos da Vale para 2010, anunciada em outubro, elevou em mais de 30% o total destinado este ano a novos empreendimentos: US$ 9 bilhões. Antes da crise, a Vale planejava investir US$ 14 bilhões em 2009, mas a retração mundial reduziu o orçamento em US$ 5 bilhões.

A decisão desagradou ao governo, que reagiu com críticas à mineradora, a maior parte delas feita diretamente pelo presidente Lula, que cobrava mais agressividade da empresa no País. As insistentes censuras de Lula geraram, na época, rumores sobre uma eventual substituição do presidente da empresa, Roger Agnelli.

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