Vale planeja exportar níquel do projeto de Nova Caledônia

A Vale anunciou nesta segunda-feira planos de embarcar níquel a partir de seu projeto de 4,3 bilhões de dólares em Nova Caledônia, dois anos antes do previsto inicialmente e apenas de produto semi-acabado.

JAMES REGAN, REUTERS

15 de novembro de 2010 | 12h39

Um executivo sênior da Vale disse que, pelo projeto de Goro, seria possível embarcar ao menos 4 mil toneladas do metal semi-acabado para a Austrália a partir do próximo mês, mas enfatizou que a Vale se manterá fiel à sua meta de longo prazo de explorar até 58 mil toneladas por ano em Goro.

"Esta será uma medida temporária para um mínimo de 4 mil toneladas", disse Petter Poppinga, vice-presidente executivo da unidade de metais à Reuters no intervalo de uma conferência da indústria.

"O plano de longo prazo é produzir nosso próprio metal... Não gastamos mais de 4 bilhões de dólares apenas para vender um produto intermediário".

A Vale está ansiosa para mostrar que seu projeto em Goro, que explora e processa níquel a partir de jazidas do minério laterítico, não terá o mesmo destino dos projetos de níquel laterítico construídos na Austrália pelas mineradoras BHP Billiton e Minara Resources.

A BHP Billiton fechou seu projeto de 2,2 bilhões de dólares em Ravensthorpe no começo deste ano, ainda que depois tenha vendido o mesmo por 340 milhões de dólares para a canadense First Quantum Minerals, que planeja retomar o projeto.

O projeto da Minara, pioneira no processo de níquel laterítico, ainda precisa alcançar a capacidade anual de 40 mil toneladas esperada.

O processo do níquel laterítico requer alta pressão e processamento através de ácidos, o que pode tornar o equipamento vulnerável a falhas.

A Vale está fazendo alguns reparos em sua refinaria em Goro, que ainda está em construção, e analistas da indústria dizem que ela pode levar mais cinco anos para atingir a taxa máxima de produção de 58 mil toneladas de níquel por ano e 4 mil toneladas de cobalto.

CRONOGRAMA

Entretanto, Poppinga disse que a Vale manterá seu objetivo de atingir plena capacidade em 2013 e que a exportação do produto semi-acabado --com cerca de 40 por cento de níquel-- é um passo de médio prazo.

A Vale produziu sua primeira carga de metal em Goro em agosto, mas os embarques do produto semirrefinado para a refinaria QNI, do norte da Austrália, seriam suas primeiras exportações.

"Não vemos nenhuma razão para mudar os prazos do nosso projeto por causa disso", disse Poppinga, reforçando o plano de acrescentar mais 15 mil toneladas à sua produção anual ao embarcar algumas partes não utilizadas de um projeto brasileiro frustrado de mineração em Goro.

O projeto de Goro foi inicialmente estimado em 3,2 bilhões de dólares, mas foi incrementado depois, em parte para atender às demandas ambientais.

Goro estava previsto para iniciar operações no final de 2008. A QNI, propriedade do investidor Clive Palmer, pode produzir até 70 mil toneladas de níquel por ano, mas opera com cerca de 40 mil toneladas apenas, devido à limitada oferta de insumos, disse Poppinga.

Os preços do níquel tiveram forte alta de 22 por cento este ano na bolsa de Londres, para cerca de 22.680 dólares por tonelada, porém, ainda abaixo da máxima de 27.680 por tonelada.

O consumo global de níquel primário deve crescer em até 1,53 milhão de toneladas no próximo ano, ante 1,43 milhão de toneladas estimados em 2010, de acordo com o Grupo Internacional de Estudo do Níquel.

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