Vale pode cortar fatia em joint-venture com coreanos no Ceará

A Vale está negociando para reduzir sua participação em uma joint-venture com duas empresas sul-coreanas para a construção de uma usina siderúrgica integrada no Ceará, a Companhia Siderúrgica do Pecém, afirmou uma fonte com conhecimento direto do assunto nesta segunda-feira.

REUTERS

25 de abril de 2011 | 14h35

A mídia sul-coreana publicou que a participação da Vale pode cair de 50 para 30 por cento na segunda fase da construção da usina, enquanto as siderúrgicas Posco e Dongkuk Steel podem aumentar suas parcelas para 35 por cento cada.

A Posco, terceiro maior grupo produtor de aço do mundo, e a rival de menor porte Dongkuk Steel possuem uma participação inicial de 20 e 30 por cento, respectivamente, no projeto previsto para começar a operar em 2014.

"A Posco e a Dongkuk estão negociando para aumentar suas participações na joint-venture com a Vale na segunda etapa da construção", disse uma fonte da indústria à Reuters. "Mas nada foi decidido ainda. A segunda fase vai começar depois que a primeira for completada, em 2014", acrescentou a fonte.

Questionada sobre o assunto, a Vale disse que não comentaria.

A Vale assinou em novembro acordo preliminar para assumir uma participação de 50 por cento na primeira fase de um projeto de construção da usina siderúrgica com capacidade anual para 3 milhões de toneladas, que ficará pronta em 2014. O projeto deve exigir investimentos de 4 bilhões de dólares na primeira etapa.

A usina terá outra unidade com capacidade para 3 milhões de toneladas anuais de aço na segunda fase de construção.

Um porta-voz da Posco disse que "estamos considerando ampliar nossa participação na joint-venture se procedermos com a segunda fase." Ele acrescentou que o conselho da companhia deve aprovar o plano para participar da primeira fase da construção no próximo mês.

A Vale tem sido pressionada pelo governo brasileiro para criar mais empregos no país por meio do investimento em projetos siderúrgicos, um negócio que a empresa afirma não ter interesse em ser sócia majoritária para não colocar a companhia em competição direta com seus clientes, as usinas siderúrgicas.

Durante o governo anterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a convocar publicamente o presidente da Vale, Roger Agnelli, a "colocar a mão no bolso" e aumentar a participação na Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), joint-venture com a alemã Thyssen, o que foi feito em seguida. Agnelli deixa o comando da empresa em 22 de maio, quando assume Murilo Ferreira.

A Vale tem ainda planos de construir uma siderúrgica no Pará e outra no Espírito Santo, ambas ainda sujeitas à aprovação do conselho de administração da mineradora.

(Com reportagem adicional de Denise Luna, no Rio de Janeiro)

(Por Hyunjoo Jin)

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