Vale prevê recuperar parte de embarques de minério em 2012

Por Sabrina Lorenzi

REUTERS

12 de janeiro de 2012 | 19h27

A Vale prevê recuperar ainda neste ano a maior parte do volume de minério de ferro que deixou de embarcar por conta das chuvas que vêm afetando a região Sudeste do país e que obrigaram a companhia a decretar força maior em seus contratos do produto.

"A perda é relativamente pequena até agora, de menos de um por cento da produção anual... Ao longo do ano, nossa expectativa é recuperar, se não totalmente, boa parte daquilo que foi perdido até agora", afirmou o diretor-executivo de Ferrosos e Estratégia da Vale, José Carlos Martins em teleconferência para jornalistas nesta quinta-feira.

O executivo ponderou que não há muito como prever o impacto das chuvas, que podem se estender nas próximas semanas, afetando ainda mais os embarques da companhia.

A empresa deixou de produzir nas minas do Sudeste cerca de um quinto do que previa em janeiro por causa das chuvas que se intensificaram na última semana. A empresa já havia informado, na quarta-feira, que deixou de embarcar 2 milhões de toneladas por causa do tempo adverso.

"Isso vinha afetando nossas atividades desde pouco antes do Natal. Como no Sistema Sul temos muita flexibilidade, conseguimos superar as dificuldades por algum tempo, mas infelizmente nesta última semana a coisa extrapolou, com impacto na produção e nos embarques", disse o executivo.

Martins disse que, se por um lado o prejuízo financeiro para a Vale é pequeno, por outro traz uma série de consequências negativas para clientes e outros atores da cadeia da mineração. As chuvas não afetaram apenas a produção de minério, mas também a produção e a logística, com ferrovias e vias de acesso alagadas.

Ele disse que pelo menos dez navios estão aguardando nos portos do Brasil em função da falta de produto para embarcar. Dados do porto de Tubarão, no Espírito Santo, indicam que há 17 navios da mineradora no local.

PROBLEMA MAIOR PARA EUROPA

O impacto das chuvas é mais sério para clientes da Europa do que da Ásia, porque os asiáticos já foram bastante abastecidos no último trimestre.

Além disso, o prazo entre a produção e a entrega na Ásia é de 45 dias, o que dá margem para o comprador buscar outras alternativas enquanto a produção da Vale não é restabelecida. Já no caso dos europeus o prazo para entrega é menor, de cerca de cinco dias, o que dá menos margem de manobra para importadores.

"A questão mais urgente agora é administrar clientes europeus", disse ele.

O executivo ressaltou ainda que a prioridade da Vale no abastecimento é atender a siderurgia brasileira. "Historicamente, priorizamos o mercado interno", disse ele.

Martins também esclareceu que a medida pode ser mantida enquanto houver necessidade. A companhia se prepara para chuvas fortes na próxima semana.

Segundo Martins, a produção de Carajás, no Pará, já opera a plena capacidade e não pode compensar a produção insuficiente do sistema Sudeste e Sul, afetado pelas chuvas.

Ele informou que também chove bastante em Carajás, mas as chuvas não afetaram a operação da mineradora, ao menos por enquanto.

(Com reportagem adicional de Jeb Blount)

Tudo o que sabemos sobre:
MINERACAOVALEEMBARQUES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.