Vale suspende projeto de potássio na Argentina de US$6 bi

A Vale anunciou nesta segunda-feira a suspensão do projeto de potássio Rio Colorado, na Argentina, onde chegou a investir pelo menos 2,2 bilhões de dólares como parte da meta de se tornar uma das maiores fornecedoras de fertilizantes do mundo.

SABRINA LORENZI, Reuters

11 de março de 2013 | 17h38

As obras de Rio Colorado serão interrompidas e todos os cerca de seis mil empregados que trabalham no projeto, entre terceirizados e funcionários próprios da Vale, serão demitidos, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto.

A empresa colocou o projeto em revisão em abril de 2012 devido a preocupações com inflação, impostos, infraestrutura e política cambial do país vizinho, segundo disse na ocasião o presidente da companhia, Murilo Ferreira.

A segunda maior mineradora global decidiu suspender o projeto após meses de negociações fracassadas com o governo argentino. A empresa procurava obter um benefício tributário previsto em lei --o que lhe foi negado, disse a fonte à Reuters, na condição de anonimato.

"A Vale informa que comunicou... ao Governo da República Argentina que está suspendendo a implantação do projeto Rio Colorado tendo em vista que no contexto macroeconômico atual os fundamentos econômicos do projeto não estão alinhados com o compromisso da Vale com a disciplina na alocação do capital e a criação de valor", disse a empresa nesta segunda-feira em comunicado ao mercado.

Nenhum representante do governo da Argentina estava imediatamente disponível para comentar o assunto.

A decisão segue a estratégia da Vale de reduzir investimentos, sair de projetos que não lhe dão retorno e cortar custos diante do cenário menos favorável que tem reduzido ganhos das mineradoras .

"A economia mundial não vai bem, o governo argentino apresenta risco de intervenção, de modo que a Vale deixou o projeto... os acionistas querem rentabilidade. A Vale está se livrando de projetos como este porque a situação mudou", afirmou o analista Carlos Manuel de Sousa, da corretora Lopes Filho Associados.

As ações da Vale, que operaram em queda pela manhã, subiam 0,9 por cento às 17h18, enquanto o Ibovespa tinha leve queda no mesmo horário.

A mineradora, contudo, não descarta a possibilidade de retomar o projeto, orçado em 5,9 bilhões de dólares. "No caso de retomada do empreendimento, será dada a preferência aos atuais empregados do projeto", informou a mineradora.

A Vale não abandonará as jazidas de potássio na Argentina e continuará zelando por seus direitos de exploração na região.

"A Vale continuará honrando os compromissos relativos às suas concessões e seguirá buscando soluções que melhorem os fundamentos econômicos do projeto, para então avaliar a sua retomada", disse a empresa.

A Vale já executou 45 por cento das obras de Rio Colorado. Somente em 2012 realizou investimentos de 1,4 bilhão de dólares, mesmo em meio a dúvidas sobre a continuidade do empreendimento.

Cerca de um ano antes de a Vale anunciar a revisão de Rio Colorado, o governo da província de Mendoza, onde estão as reservas de potássio, havia suspendido o empreendimento, alegando que a mineradora não teria cumprido alguns itens contratuais, como a realização de compras locais e a contratação de trabalhadores na região.

No entanto, houve um acordo em seguida para a Vale seguir adiante com o projeto, que compreende o desenvolvimento de reservas com capacidade de 4,3 milhões de toneladas de potássio por ano.

O projeto previa ainda a construção de uma ramal ferroviário de 350 km e instalações portuárias.

A meta da Vale era se tornar um dos maiores fornecedores de fertilizantes, com projetos também no Brasil, Peru e Canadá.

(Reportagem adicional de Alejandro Lifschitz, em Buenos Aires, Esteban Israel e Asher Levine em São Paulo)

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