Vale tem queda menor de preço de minério do que Rio Tinto

A Vale fechou acordo com siderúrgicas do Japão e da Coréia do Sul para redução de preços de referência do minério de ferro produzido pela empresa para este ano. O corte de preço foi menor do que o aceito pela concorrente Rio Tinto no final de maio.

DENISE LUNA, REUTERS

10 de junho de 2009 | 10h04

A Vale, maior produtora da commodity no mundo, acertou queda de 28,8 por cento no preço do minério de ferro fino e de 44,47 por cento no preço do granulado. O preço de pelotas de alto forno caiu 48,3 por cento em relação ao praticado em 2008.

Para analistas que acompanham a empresa, os ajustes vieram dentro do esperado e não devem alterar o comportamento das ações da mineradora brasileira nesta quarta-feira, principalmente porque o principal mercado da Vale, a China, continua sem uma solução.

"Não fugiu muito do esperado, o mercado falava entre 25 e 27 por cento para o fino, que é o principal para a Vale", avaliou o analista da corretora SLW Pedro Galdi.

"Mas o importante mesmo para eles (Vale) é a China, e existe uma pressão muito forte para fechar ainda este mês esse acordo", complementou.

O corte menor no preço em relação à Rio Tinto, que havia aceito redução de 33 por cento para o minério fino, também não surpreendeu os especialistas.

"Veio dentro das nossas expectativas", resumiu a analista Cristiane Viana, da Ágora, que previa corte de 28,1 por cento.

O acordo da Vale foi acertado com a japonesa Nippon Steel, a sul-coreana Posco, e também com as siderúrgicas do Japão Sumitomo Metal Industries, Kobe Steel e Nisshin Steel.

Com isso, os novos preços de referência para 2009, em tonelada métrica seca, são de 0,8543 dólar por unidade de ferro para o minério de ferro fino do Sistema Sudeste, 0,8987 dólar para o fino de Carajás (SFCJ), 0,9942 dólar para o granulado do Sistema Sudeste e 1,0094 dólar para o granulado do Sistema Sul, informa a Vale. O preço da pelota, também em tonelada métrica seca, passou a 1,1043 dólar.

"Se pegar o preço em dólar que a Vale vinha praticando, levando em conta que ela aumentou menos o minério em 2008, o corte devia ser menos mesmo que a Rio", disse Galdi. "A pelota que veio mais forte, mas mesmo assim era dentro do esperado", afirmou o analista.

Como são um tipo de minério de ferro enriquecido, as pelotas são utilizadas principalmente quando se deseja aumentar a produtividade dos alto fornos das siderúrgicas, o que não é necessário em períodos de fraca demanda, como ocorre no momento.

Os primeiros acordos de preços de minério de ferro deste ano com siderúrgicas japonesas e sul-coreanas foram acertados pela mineradora australiana Rio Tinto, de reduções de cerca de 33 por cento.

Mais cedo, a publicação chinesa Beijing News, informou que a Vale fechou acordos de fornecimento de minério com 38 pequenas siderúrgicas da China, para volume de mais de 50 milhões de toneladas este ano.

(Edição de Alberto Alerigi Jr.)

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