Vale vê sinais claros de recuperação da economia global

A Vale já enxerga sinais claros de recuperação no mercado, o que deixaria para trás a crise que afetou a empresa desde setembro do ano passado e que fez sua produção de minério de ferro despencar.

DENISE LUNA, REUTERS

04 Agosto 2009 | 12h48

Numa projeção anualizada para a produção de minério de ferro em 2009, considerando o fraco resultado do primeiro semestre, a mineradora produziria no ano 212 milhões de toneladas, ante quase 300 milhões em 2008.

Mas segundo o diretor financeiro da Vale, Fabio Barbosa, há uma evidente indicação de desestocagem em outras regiões, e não apenas na China, e essa folga na produção deixa a empresa em melhores condições para tirar proveito da retomada da economia global e ampliar a sua produção no segundo semestre.

"O que vemos claramente é o início de um novo período", afirmou o diretor a analistas reunidos esta manhã pela Associação de Analistas e Profissionais de Investimentos no Mercado de Capitais (Apimec).

"Claramente o mercado de hoje é mais forte, principalmente em relação ao primeiro trimestre", ressaltou.

Barbosa destacou que a volta do mercado aos níveis de antes da crise não será imediata e, portanto, é preciso cautela.

Mas ele disse que não há dúvida de que os mercados emergentes serão líderes dessa recuperação, ajudando a Vale geograficamente.

"Não vamos voltar a antes de setembro de 2008 rapidamente. É um processo que leva mais tempo, mas o primeiro passo parece que já foi dado", avaliou, afirmando que mesmo o mercado de pelotas, mais demandado quando há necessidade de maior produtividade, vem dando indícios de recuperação.

"Todas as estimativas que vemos é de que depois de um período de recessão este ano a economia vai crescer em 2010", complementou.

Ele lembrou que a queda de demanda de mercados como Europa e Américas, que ficavam com 45 por cento do minério da Vale antes da crise, levou à concentração na China, onde a empresa tem mais dificuldade de levar o seu produto devido à distância.

"De todos os players de mercado fomos os mais afetados geograficamente na crise... o fato de a Europa já estar tendo recuperação é muito auspicioso", afirmou Barbosa.

Mesmo assim, a Vale continua atuando fortemente no mercado chinês, onde aguarda a definição dos acordos de preços para este ano, operando tanto no mercado à vista como no de longo prazo.

"Vamos ter que nos acostumar com essa forma híbrida por algum tempo", admitiu Barbosa.

Mais conteúdo sobre:
MINERACAOVALE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.