Valor da arroba ainda está em alta

Abate de matrizes e seca prolongada são principal motivo. No início do ano, preços devem recuar, mas não muito

O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2007 | 04h52

Abate intenso de matrizes de quatro anos para cá por causa de baixos preços da arroba; seca prolongada este ano e problemas de abastecimento de carne no mercado mundial foram os fatores que contaram para as sucessivas altas da arroba do boi, mais destacadamente de dois meses para cá.Na segunda-feira, segundo cotação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP (Esalq/USP), a arroba do boi bateu em R$ 75,48 à vista e em R$ 76,27 a prazo, valores nominais recordes, segundo o pesquisador do Cepea e professor da Esalq, Sérgio De Zen. ''''Em termos reais este valor não é recorde, porém'''', diz De Zen.SEM BOISDe todo modo, há muito tempo o pecuarista não via preços tão bons na sua atividade. No mesmo período do ano passado, por exemplo, a arroba estava cotada por volta de R$ 55,00. O problema, porém, diz De Zen, é que há poucos ganhando com isso. ''''Quase ninguém tem boi pronto para abate agora'''', diz o pesquisador.A consultora de Mercado da Scot Consultoria, Maria Gabriela Tonini, concorda: ''''Está havendo um vácuo entre o boi de confinamento, que é o boi ofertado na entressafra, e o começo da oferta de bois terminados a pasto'''', diz. A seca se prolongou este ano, o que fez com que todos os animais de confinamento já tivessem sido entregues.NO PASTOQuanto ao boi terminado a pasto, só agora, com o início das chuvas e o revigoramento das pastagens, é que os animais começaram a engordar rapidamente, para estarem prontos por volta de dezembro/janeiro.Ainda conforme análise de Maria Gabriela, quando houver oferta maior de bois para abate, a partir do início do ano que vem, o preço da arroba deve recuar, ''''mas não drasticamente'''', diz. ''''Apesar de menores, os preços devem permanecer firmes, porque estamos vendo um investimento muito pesado da indústria frigorífica em novas plantas, dada a forte demanda externa por carne.''''PROBLEMAS DE OFERTAA analista de mercado pecuário Juliana Moretti Angelo, do Instituto FNP, concorda que o início do ano promete uma leve afrouxada de preços, ''''mas não muito forte'''', diz ela, e explica: ''''Os grandes players do mercado internacional, Estados Unidos, Austrália, Brasil, Argentina e Uruguai, também estão passando por problemas de oferta, o que acaba interferindo nos preços internos pagos pela arroba.''''Além disso, lembra a pesquisadora, com a liberação, por parte da Rússia, da compra de carne de todos os Estados brasileiros - antes havia embargo a alguns Estados por causa da febre aftosa -, a demanda externa vai aumentar e ajudar a manter os preços firmes, mesmo na entrada da safra.INFORMAÇÕES: Cepea, www.cepea.esalq.usp.br

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