Varejo brasileiro mostra fraqueza em abril

As vendas no varejo brasileiro declinaram pelo segundo mês seguido em abril, ficando um pouco piores que o esperado pelo mercado, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

16 Junho 2009 | 11h54

As vendas caíram 0,2 por cento sobre março e subiram 6,9 por cento na comparação com abril de 2008. A taxa anual foi estimulada pelo fato de a Páscoa ter ocorrido em abril neste ano enquanto em 2008 aconteceu em março.

Economistas consultados pela Reuters previam declínio mês a mês de 0,1 por cento e alta na comparação anual de 7,2 por cento.

"Na ponta, o comércio está estável, mas em relação ao ano passado o patamar de vendas está bem mais baixo", comentou o economista do IBGE Nilo Lopes de Macedo. "O comércio pode se tornar positivo, mas certamente não vai crescer como antes de setembro do ano passado."

O dado de março foi revisto de alta preliminar de 0,3 por cento sobre fevereiro para queda de 0,5 por cento.

A maioria dos setores pesquisados pelo IBGE foi penalizada pela crise global, sendo que os mais ligados ao crédito foram os que mostraram as maiores perdas.

"Muitos setores sofreram um baque com a crise, principalmente os ligados ao crédito. As exceções ficaram por conta de combustíveis, supermercados, que perderam bem menos que os demais. São setores mais dependentes da renda e da massa salarial", acrescentou Macedo.

Em abril sobre março, apenas duas das oito atividades do varejo tiveram aumento das vendas: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,8 por cento) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+8,9 por cento)

Os resultados negativos mais significativos foram de Combustíveis e lubrificantes (-0,8 por cento), Tecidos, vestuário e calçados (-1,7 por cento) e Móveis eletrodomésticos (-2 por cento).

Em relação a abril de 2008, metade das 10 atividades registraram aumento das vendas.

Os destaques foram Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+14,1 por cento) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (+13,8 por cento).

No ano, as vendas no varejo brasileiro acumulam expansão de 4,5 por cento. O IBGE informou que a receita nominal do varejo subiu 0,2 por cento em abril sobre março e 13 por cento na comparação anual.

VAREJO AMPLIADO

O comércio varejista ampliado, que inclui além dos oito setores mais tradicionais do comércio os segmentos de veículos e material de construção, apresentou em abril o segundo pior desempenho desde o início da série.

O indicador caiu 4 por cento ante março e 0,8 por cento na comparação anual. O desempenho só perde para o verificado em novembro do ano passado.

Segundo o IBGE, o setor de material de construção caiu 15,8 por cento ante abril do ano passado e o de veículos declinou 11,3 por cento.

"São setores que sofrem influência do crédito mais restrito e da insegurança do consumidor com um ambiente menos favorável para a economia", analisou Macedo.

"Houve uma antecipação de compras de veículos em março devido à indefinição do govenro sobre a prorrogação da redução do IPI. Além disso, a redução do IPI para material de construção veio ao longo de abril e ainda não foi captado pela pesquisa."

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