Vatel e a arte de fazer banquetes para os olhos e ouvidos

Roland Joffé não é um diretor que disponha de muito boa reputação entre os críticos, mas ele teve um retumbante começo de carreira, coroado com vários Oscars em Os Gritos do Silêncio e com a Palma de Ouro em A Missão. Os demais filmes foram obtendo repercussão cada vez menor, mas o diretor nunca renunciou à ambição. Vatel, há dez anos, concorreu em Cannes.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

03 de março de 2010 | 00h00

Com o título Vatel, Um Banquete para o Rei, é a atração de hoje do Telecine Cult, às 22 horas. Gérard Depardieu faz o banqueteiro do rei, que prepara almoços e jantares suntuosos para a nobreza, enquanto a França mergulha numa crise pavorosa que levaria ao colapso da monarquia, com Luís XIV. O filme tem roteiro de Tom Stoppard, adaptado de um original de Jeanne Labrune. Embora fiel ao espírito da época, o enfoque é dos anos 2000. Joffé quer falar de integridade pessoal e, ao mesmo tempo, usa os banquetes para construir uma metáfora do cinema.

Cada banquete preparado por Vatel vira uma festa para os sentidos. Ele não buscava apenas atrair seu público - a nobreza - pelo paladar. A visão e a audição eram complementos indispensáveis. Jogos de luzes, encenações espetaculares. E, em meio a tudo isso, as intrigas da corte. Se Versalhes contasse...

Depardieu tem temperamento - e physique du rôle para o papel. Ele é cercado por um elenco que inclui Uma Thurman, Tim Roth, Julian Sands e Arielle Dombasle. O curioso é que o próprio Depardieu virou depois produtor de vinhos e restaurateur. Seu restaurante em Paris não tem o luxo nem a ostentação das mesas reais de Vatel, mas um Picasso autêntico na parece não representa pouco. Vatel é suntuosamente filmado.

Um Chefe Muito Radical

14h15 no SBT

(Chairman of the Board). EUA, 1997. Direção de Alex Zamm, com Scott Carrot Top Thompson, Raquel Welch, Courtney Thorne-Smith, Larry Miller.

Inventor maluco herda fortuna de milionário, cujo carro consertou. O sobrinho do ricaço não se conforma e passa a infernizar a vida do cara. O tom é de comédia, mas o filme é pouco divertido. Reprise, colorido, 95 min.

Gol!

15h50 na Globo

(Goal! The Dream Begins). EUA/Inglaterra, 2005. Direção de Danny Cannon, com Kuno Becker, Alessandro Nivola, Stephen Dillane, Anna Firel, Tony Plana.

O sucesso deste filme foi tão grande que ele teve duas sequências. Conta a história de garoto mexicano/norte-americano que deixa Los Angeles, contra a vontade dos pais, para tentar a sorte no futebol inglês. O filme é menos sobre o esporte e mais sobre a família e as dificuldades de afirmação do jovem. Você pode testar quanto sabe do futebol da Inglaterra tentando identificar os astros do gramado que fazem pequenas participações. Programa simpático. Inédito, colorido, 118 min.

13 Badaladas

22 h na Rede Brasil

(Trece Campanadas). Espanha, 2002. Direção de Xavier Villaverde, com Juan Diego Botto, Marta Etura, Luís Tosar.

Jovem artista volta para casa, num vilarejo espanhol, para apoiar a mãe, que está internada num instituto psiquiátrico. A viagem leva-o a confrontar antigas relações e, principalmente, fantasmas - a violência do pai marcou o herói para sempre. O diretor Villaverde provocou certa sensação com Finisterre, Donde Termina el Mundo, em 1998. Inédito, colorido, 98 min.

Intercine

1h15 na Globo

A emissora exibe o preferido do público entre dois filmes vencedores do Oscar - Menina de Ouro, de (e com) Clint Eastwood, com Hilary Swank, também premiada com o prêmio da Academia de Hollywood, no papel da garota que passa por duro treinamento para virar campeã de boxe; quando atinge seu objetivo... Veja para saber o que lhe acontece; e Uma Mente Brilhante, de Ron Howard, com Russell Crowe na pele do matemático; o ator também foi premiado por sua interpretação como o gênio que ingressa num mundo de alucinações, que coloca à prova seu casamento e a própria sanidade.

Devastação em Los Angeles

1h40 na Rede Brasil

(Epicenter). EUA, 2000. Direção de Richard Pepin, com Traci Elizabeth Lords, Gary Daniels, Jeff Fahey.

Bela agente do FBI escolta criminoso high tech. A incidência de um terremoto em Los Angeles os leva a se unirem pela sobrevivência. Existem disaster movies melhores, como você poderá descobrir. Reprise, colorido, 96 min.

Ali Babá e os Quarenta Ladrões

3h25 na Rede Brasil

(Ali Baba and the Forty Thieves). EUA, 1944. Direção de Arthur Lubin, com Jon Hall, Maria Montez, Turhan Bey, Andy Devine.

Fantasia das 1001 Noites, com Jon Hall na pele do filho do califa que é adotado pelo chefe dos ladrões e combate o usurpador do trono. A beleza "exótica" de Maria Montez é o atrativo da produção dirigida pelo modesto artesão Lubin, que assinaria, em fim de carreira, em 1961, nova versão da mesma trama, As Aventuras do Ladrão de Bagdá. Maria morreu precocemente, de um ataque do coração, quando tomava banho. Reprise, colorido, 87 min.

Amanhã

A Globo exibe amanhã, no Intercine, o preferido do público entre - Erin Brockovich, Uma Mulher de Talento, de Steven Soderbergh, com Julia Roberts no papel que lhe deu o Oscar; ela faz advogada que defende famílias humildes atingidas pela poluição provocada por uma grande empresa (EUA, 2000, fone 0800-70-9011); e O Tigre e o Dragão, de Ang Lee, com Chow Yun-Fat, Michelle Yeoh e Zhang Ziyi, mistura de épico, romance e fantasia de artes marciais, sobre a paixão secreta de um guerreiro por uma lutadora e os perigos em que ambos se envolvem por causa de uma impetuosa aristocrata (EUA/Hong Kong, 2000, fone 0800-70-9012).

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