Vaticano decide se mordomo do papa vai a júri

O Vaticano deve anunciar hoje o resultado do inquérito sobre um suposto furto de documentos secretos da Santa Sé. O acusado é o italiano Paolo Gabriele, ex-mordomo do papa Bento XVI.

CIDADE DO VATICANO, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2012 | 03h03

De acordo com o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, que fará o anúncio hoje na Cidade do Vaticano, a redação das conclusões dessa fase preliminar de investigação se prolongou mais que o previsto.

Apelidado de Vatileaks - menção ao site Wikileaks, que publica documentos confidenciais de governos -, o escândalo ocorreu no início do ano, quando uma rede de TV italiana divulgou cartas enviadas ao pontífice pelo núncio apostólico (um embaixador do Vaticano) nos Estados Unidos, Carlo Maria Viganò, com denúncias de "corrupção, prevaricação e má gestão" na administração da Igreja Católica.

Em abril, o papa criou uma comissão para esclarecer furtos e vazamentos de documentos sigilosos. No mês seguinte, cerca de cem comunicados que revelam intrigas dentro do Vaticano foram publicados no livro Sua Santità, de Gian Luigi Nuzzi.

Gabriele, de 46 anos, foi a única pessoa a ser detida por causa dos vazamentos. Em sua casa foram encontrados papéis secretos da Santa Sé, que são a principal prova de seu envolvimento. Ele ficou preso no Vaticano de 24 de maio a 21 de julho - desde então, está em prisão domiciliar.

Sem cúmplices. Para os advogados de Gabriele, o mais provável é que ele seja levado a júri. Carlo Fusco, um de seus defensores, afirmou que o seu cliente enviou no mês passado uma carta a Bento XVI, na qual admitiu seus erros e pediu perdão.

Fusco também disse que Gabriele, conhecido como Paoletto, agiu sozinho, "sem cúmplices internos ou externos". O Vaticano segue em busca de outros envolvidos no vazamento de informações sigilosas.

Durante o tempo de detenção, Gabriele foi interrogado diversas vezes pelos investigadores. Se ele for a julgamento, o processo deverá começar daqui a cerca de dois meses. Ele pode pegar até 6 anos de prisão, se for condenado. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.