VatiLeaks estimulou decisão, diz revista

Segundo a publicação 'Panorama', Bento XVI estaria enfrentando resistências na Cúria após pedir transparência

ROMA, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h01

A revista italiana Panorama diz que o papa Bento XVI renunciou na segunda-feira após ter recebido uma nova informação sobre o escândalo VatiLeaks, o vazamento de documentos oficiais do Vaticano que revelava uma "forte resistência" na Cúria Romana sobre as medidas de transparência que havia pedido.

Segundo a matéria da publicação do grupo Mondadori, propriedade da família Berlusconi, em 17 de dezembro Bento XVI recebeu os três cardeais que nomeou para investigar o vazamento de seus documentos pessoais e do Vaticano que acabaram publicados no polêmico livro Sua Santidade, do italiano Gianluigi Luzzi, e levaram à prisão e condenação do então mordomo do papa, Paolo Gabriele.

Os membros dessa comissão são os cardeais Julián Herranz, espanhol, de 82 anos; Salvatore De Giorgi, italiano, de 82 anos; e Jozef Tomko, eslovaco, de 88 anos, que interrogaram cerca de 30 pessoas no Vaticano.

Os três cardeais apresentaram um volumoso relatório com documentos, entrevistas e interrogatórios que revelava - segundo a revista - uma "grande resistência da Cúria a mudanças e muitos obstáculos contra as ações pedidas pelo papa para promover a transparência".

Segundo a revista, o papa ficou "muito impressionado" com as informações e só teve forças para conversar com seu irmão, Georg. "Admitiu, talvez pela primeira vez, ter descoberto um lado da Cúria Vaticana que jamais havia imaginado. Antes do Natal, começou a pensar seriamente em sua demissão", afirma Panorama, em um comunicado distribuído aos meios de comunicação italianos.

Bento XVI, de 85 anos, afirmou ontem aos fiéis que renunciou "em plena liberdade pelo bem da Igreja" e após constatar que lhe "faltam forças para exercer com o vigor necessário o ministério do papado".

Bento XVI também destacou a importância do testemunho de fé e vida cristã de cada um dos seguidores de Cristo para mostrar a verdadeira cara da Igreja. O papa advertiu que muitas vezes esse rosto "aparece desfigurado". "Penso em particular nos atentados contra a união da Igreja e as divisões que existem no corpo eclesial."

O Vaticano mantém a versão de que o papa renunciou por lhe faltar forças para seu trabalho.

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