Vatileaks tem vários informantes na Santa Sé

Segundo jornal, ao menos 20 pessoas atuam em esquema para deixar vazar documentos

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL/ VATICANO, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h01

Paolo Gabriele, o ex-mordomo do papa Bento XVI, não seria a única fonte situada em meio a membros da cúpula do Vaticano a deixar vazar para a imprensa internacional documentos relativos aos escândalos políticos, financeiros e sexuais envolvendo a cúria romana. Uma fonte consultada pelo jornal italiano La Repubblica e supostamente ligada ao vazamento de informações confidenciais da Igreja, o caso VatiLeaks, afirmou que pelo menos 20 pessoas situadas em cargos estratégicos travam uma luta por mais transparência na Santa Sé.

A entrevista foi concedida por "um crente, fiel à Igreja, com conhecimento perfeito da máquina do Vaticano", segundo a descrição do jornal, que preservou a identidade da fonte - o que torna as informações inverificáveis. Conforme o informante, "depois que Bento XVI renunciou ao seu pontificado, e às vésperas do conclave, o caso Vatileaks segue sendo relevante", afirmou, advertindo: "Para nós, chegou a hora de voltar a falar".

O informante garante que Gabriele era apenas um dos membros do grupo, que batalha pelo aumento da transparência dentro da Igreja. "São muito mais que 20 pessoas, todas ligadas à Santa Sé. Somos mulheres e homens, leigos e clérigos", disse o "corvo", como o mordomo de Bento XVI foi chamado após o vazamento.

Para o entrevistado, a investigação encomendada pelo pontífice antes de sua renúncia e que teria revelado a existência de redes de tráfico de influências, chantagem, homossexualismo e prostituição na Cúria, além de corrupção no Instituto para as Obras da Religião (IOR), é só a primeira parte. Questionado sobre se novos documentos virão a público, o informante confirmou que disse estar em luta por "uma Igreja forte, transparente e livre de interesses privados".

Sobre o próximo papa, o religioso afirmou que só se saberá se o VatiLeaks foi bem sucedido se o novo pontífice aprofundar a transparência da Igreja.

Ontem, um dia depois que o Colégio Cardinalício proibiu os cardeais de falarem à imprensa sobre as reuniões pré-conclave, padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, admitiu que o escândalo do VatiLeaks vem sendo tratado na Congregação-Geral. "Eu creio que os cardeais falem disso e de muitos outros assuntos", afirmou, sem dar detalhes. "Seria supérfluo fazer uma lista dos tópicos abordados."

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