Vazamento começa a ser controlado no Golfo

Governo americano e empresa BP, no entanto, preferem ser cautelosos; pela terceira vez, Obama visitou a região afetada pela tragédia ambiental

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

O vazamento no Golfo do México começou a ser controlado ontem, mas milhares de barris de petróleo ainda eram liberados para o mar e autoridades americanas e da Brithish Petroleum (BP), responsável pela operação, preferiam manter a cautela.

A boa notícia foi dada horas antes de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visitar a região pela terceira vez em 45 dias, quando eclodiu o que já é considerado o maior desastre ecológico da história do país.

Adotando um tom duro, o presidente criticou a BP por "gastar milhões em propagandas com a sua imagem, além de pretender pagar US$ 10,5 bilhões em dividendos para os seus acionistas".

Obama lembrou ainda que a empresa terá de gastar dinheiro com questões legais e deveria contribuir mais com as comunidades costeiras prejudicadas.

A capa de contenção colocada sob uma tubulação estava conseguindo recolher parte do petróleo e transportá-lo para a superfície para ser armazenada em um navio. Por enquanto, apenas cerca de mil barris por dia estão sendo coletados, de um total de 19 mil que ainda escapa para o mar.

O problema são os orifícios na colocação da capa sobre a tubulação. Aos poucos, utilizando robôs submarinos, a BP tentará fechá-los. Ao mesmo tempo, a empresa terá de tomar cuidado para que a capa não se rompa, provocando o fracasso total da operação de contenção.

Em nome do governo, o almirante Thad Allen afirmou que "tem havido progresso, mas precisamos ter cautela contra um otimismo exacerbado". Em sua avaliação, o fechamento dos orifícios por onde escapam petróleo poderia ser concluído ontem, resultando hoje em um panorama mais otimista.

Os responsáveis insistem em reafirmar que o trabalho tem de ser feito com calma. Até que a tubulação seja selada pela capa, o ideal, explicam, é que continue escapando petróleo e não entre água no mar.

A uma profundidade de quase 2 mil metros, o resfriamento da água, aliado a determinados gases que escapam com o petróleo, pode formar cristais, perfurando a capa de contenção. Quando esse procedimento foi tentado logo após o início do vazamento, o fracasso se deveu justamente ao rompimento da capa.

Essa solução atual é de curto prazo. No longo, a BP começou a construir dois poços de ajuda para retirar a pressão do vazamento. Essa é considerada a única solução definitiva para um problema que se iniciou em 20 de abril com a explosão de uma plataforma de petróleo no Golfo do México. Onze pessoas morreram no incidente. A BP enfrenta uma grave crise em razão do desastre: agências de risco vêm reduzindo suas notas. A Casa Branca determinou uma multa inicial de US$ 69 milhões, que pode crescer.

Críticas. Uma pesquisa divulgada nesta semana mostrou que 42% dos americanos desaprovam a maneira como Obama lida com o acidente. Com a popularidade afetada pela crise, o governo abriu investigações civil e criminal para apurar as responsabilidades pela tragédia.

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