Vazamento de óleo no litoral de SP ameaça qualidade de peixes

Vigilância Sanitária alerta que pescadores de Caraguatatuba e São Sebastião não respeitam avisos de contaminação

REGINALDO PUPO, ESPECIAL PARA O ESTADO / , SÃO SEBASTIÃO, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2013 | 02h04

Moradores e turistas do litoral norte de São Paulo podem estar consumindo pescados contaminados pelo óleo combustível marítimo que vazou no dia 5 de uma rede de oleoduto localizada no píer da Transpetro/Petrobrás, em São Sebastião. Segundo a empresa, vazaram 3,5 metros cúbicos do produto (3,5 mil litros) - já a prefeitura estima a quantidade entre 8 mil e 15 mil litros.

O alerta foi feito pela Vigilância Sanitária do município, após a fiscalização ter constatado que a atividade pesqueira continua intensa, apesar dos avisos - ao menos 11 praias de São Sebastião e 3 de Caraguatatuba foram atingidas. A contaminação prejudicou fazendas marinhas de mariscos e camarões em Caraguatatuba e São Sebastião.

Prejuízos. O maricultor Estevam de Matos perdeu 10 toneladas de mariscos de sua fazenda na Praia da Cocanha, em Caraguatatuba. "Toda minha produção está impregnada de óleo. O marisco filtra esse óleo para seu sistema e quem se alimentar dele pode ter problemas de saúde." Segundo ele, serão necessários ao menos três meses para que o organismo dos mariscos elimine o óleo.

O pescador artesanal João Augusto de Souza diz ter capturado peixes com manchas de óleo três dias após o vazamento. "Tive de devolver ao mar, não quis arriscar levar para a minha família comer."

Segundo a Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico, da própria Transpetro/Petrobrás, o óleo combustível marítimo MF 320, que vazou no mar, causa irritação gastrointestinal, nas vias aéreas superiores e efeitos narcóticos se inalado.

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