Vegetariano ou orgânico? Nada disso, são só inofensivos naturebas

Descubra onde se escondem os melhores 'pratos verdes' da cidade

Márcia Vieira, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2007 | 06h29

O termo já ficou desgastado pelo uso. Comida natural, que nos anos 70 era sinônimo de macrobiótica e mais tarde, de comida sem produtos industrializados, já foi usada até para descrever os sanduíches lotados de maionese Hellman''''s nas areias cariocas. Hoje, levam o rótulo de natural os restaurantes que não usam, em 90% dos casos, ingredientes industrializados e, sempre que possível, só oferecem produtos orgânicos. A partir daí, as diferenças são muitas. Há os 100% vegetarianos. Os que, além de vegetarianos, servem comida viva, ou seja, nada é feito usando fogo a uma temperatura acima de 40°C. Outros são vegetarianos, mas admitem o uso de ovos e leite. E existem aqueles que são um pouco de tudo. Dos naturais cariocas, o mais badalado e radical é o Universo Orgânico, simpático restaurante numa galeria do Leblon. É de lá que todo o dia saem litros e litros de sucos da luz do sol para casa de clientes, muitos famosos, como Marisa Monte. A mistura de maçã, pepino, couve, hortelã, grãos germinados, gengibre e inhame, dizem, transforma-se em hemoglobina no corpo e garante saúde. O restaurante é comandado pela chef Tiana Rodrigues e o irmão Henrique. Amiga de Cazuza nos loucos anos 80, Tiana caiu na real na década seguinte e descobriu em Nova York o barato da comida viva. Fez cursos de gastronomia, trabalhou em restaurantes e voltou ao Brasil no início de 2001 cheia de idéias. Todas se materializaram no Universo Orgânico. O hit é o espaguete de abobrinha com molho de tomate, caju e queijo de macadâmia (R$ 18,90). Mas vale a pena também a panqueca de linhaça dourada. Tudo fresco, saudável e quase cru. ''''Quando você come um alimento cozido, precisa de suas próprias enzimas para digeri-lo e, muitas vezes, a digestão é lenta. Por isso, quando comemos cozidos ficamos com sono'''', explica Tiana. A última novidade da chef é o sal do Himalaia, que de tão saudável nem interfere na pressão arterial. Ali do lado, na mesma galeria, fica o Vegetariano Social Clube. A decoração chama a atenção. Parece um bistrô, charmoso e aconchegante. Mas a linha é vegetariana radical. Queijo, só tofu, leite, só de castanhas. Ovos, nem pensar. No cardápio, faz sucesso a tempêh à portuguesa (proteína da soja com alga nori, acompanhada de cebola, azeitona preta, tomate e arroz de brócolis). ''''Nossos pratos têm ao menos três tons'''', explica Michel Mekler, um dos sócios do restaurante, que tem seis anos. O visual é mesmo caprichado. Quase tanto quanto o sabor. A safra atual dos naturais segue essa linha. É assim no Celeiro, sucesso no Leblon há mais de 20 anos. No Vegan Vegan, em Botafogo, embora o restaurante não seja tão charmoso quanto os concorrentes, há pratos bonitos e saborosos. A chef Thina Izidoro e o marido Jan Carvalho são pioneiros em comida vegetariana na cidade. A prioridade é oferecer saúde. São radicais sobre a escolha das verduras. Só entram as orgânicas. ''''Fazemos uma culinária tradicional, com visão vegetariana e orgânica'''', explica Thina. A especialidade é o bobó de cogumelos, delícia de aipim orgânico, coentro e quatro tipos de cogumelos. Todos orgânicos. Aos sábados, respeitam uma tradição carioca: servem farta feijoada, uma mistura de shiitake, tofu, farofa, couve e arroz. E, máximo da originalidade do lugar, oferecem de entrada uma caipirinha sem álcool, com gengibre, passas brancas e limão. Mais natural, impossível.

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