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Venda de ações da BR Properties levanta R$ 223 mi

Empresa tem o BTG como maior acionista individual; o banco, que corre para vender ativos, é apontado pelo mercado como vendedor

Mônica Scaramuzzo,Fernando Scheller,Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2015 | 23h04

Uma operação de venda de ações da BR Properties, empresa de ativos imobiliários que tem o BTG Pactual como principal sócio, com 35,87% de participação, levantou nesta terça-feira, 1, R$ 223,6 milhões. A venda movimentou 21,8 milhões de ações ordinárias, acima da previsão inicial de 17,8 milhões de papéis (equivalentes a 5,96% do total). A operação foi coordenada pela corretora do BTG. O próprio banco foi apontado por fontes de mercado como o acionista vendedor desses papéis.

O leilão de bloco de ações da BR Properties foi comunicado ao mercado na segunda-feira. Tradicionalmente, quando um leilão desse tipo é realizado, há transferência de ações do acionista para um comprador já identificado. Como essa negociação envolveu mais de 5% de ações, a empresa deverá fazer um comunicado oficial ao mercado nos próximos dias.

O BTG, que enfrenta uma forte crise de confiança desde a prisão, na última quarta-feira, de seu principal sócio, André Esteves, dentro das investigações da Operação Lava Jato, não comentou o assunto. Depois de renunciar à presidência e à presidência do conselho do BTG, Esteves também deixou o conselho da BR Properties.

No primeiro semestre deste ano, o BTG já havia oferecido sua participação na BR Properties ao grupo canadense Brookfield, segundo fontes. No entanto, a Brookfield, que tem um braço global de ativos imobiliários, preferiu não ser sócia da companhia. A canadense optou por comprar quatro imóveis comerciais da BR Properties - três em São Paulo (incluindo duas torres da JK Iguatemi) e um no Rio de Janeiro. A operação, de R$ 1,95 bilhão, foi concluída oficialmente nesta terça.

Hoje, os membros do conselho de administração da BR Properties se reúnem para a escolha do substituto de André Esteves no conselho e o futuro da companhia. A reunião, que sempre ocorreu no prédio do BTG, foi transferida para um local “neutro”, apurou o Estado.

Venda de empresas. A BR Properties é uma das empresas que fazem parte do portfólio de companhias em que o BTG tem participação acionária. Com a crise que se abateu sobre o banco - e a desvalorização de 34% em seu papel mais negociado na BM&FBovespa em uma semana, que fechou cotado a R$ 20,30 -, a empresa começou uma verdadeira corrida para se desfazer de ativos.

Como o banco precisa fazer dinheiro rápido para combater a “sangria” de ativos - R$ 8,9 bilhões teriam sido retirados dos fundos de investimento do banco até sexta-feira da semana passada, segundo o site Fortuna, de um total de R$ 170 bilhões em ativos -, as negociações ocorrem a toque de caixa.

O BTG deverá concluir nos próximos dias a venda de sua fatia remanescente de 12% na Rede D’Or para o fundo soberano de Cingapura, o GIC. O valor da operação é calculado em cerca de R$ 2 bilhões. 

Para uma fonte de mercado, apesar de o banco precisar ser rápido na negociação, é importante conseguir um bom preço para evitar passar a imagem de que seus ativos estão em liquidação. “Se o preço da Rede D’Or, que é a melhor empresa do banco, sair abaixo do esperado, o desconto exigido poderá ser maior nas outras vendas.” Por causa da situação atual, o mercado fala em deságio de 15% a 20% nas vendas.

Entre os outros ativos do “pacote” que o BTG está ofertando ao mercado estão a rede de estacionamento Estapar, a Petro África (na qual o banco é sócio da Petrobrás) e o portal UOL. O GIC e a empresa Moving teriam interesse na Estapar, que também foi oferecida à Brookfield. 

Procurada, a Brookfield não comentou o assunto, assim como a Moving. O GIC não retornou os pedidos de entrevista.

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