Vendas de dezembro minaram otimismo do comércio--FGV

O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 6,8 por cento na comparação entre a média do trimestre encerrado em dezembro com o mesmo período do ano anterior, o pior resultado da série, iniciada em maio de 2011. Nessa comparação, o indicador passou de 137,9 para 128,4 pontos, informou a FGV nesta terça-feira.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

10 de janeiro de 2012 | 14h21

A queda no indicador médio trimestral foi mais acentuada do que a de novembro, quando houve recuo de 4,5 por cento. O resultado confirma o momento de desaceleração da atividade do setor, segundo a FGV.

"A confiança do setor, como o que vem acontecendo em outros setores da economia, distanciou-se do que era no fim de 2010, principalmente pelo desempenho de dezembro", disse à Reuters o coordenador da pesquisa, Silvio Sales. "O mês de dezembro é muito importante para o comércio, que é mais sensível a esse momento, mas foi um período não tão bom quanto o de 2010, devido ao desaquecimento geral da economia e à maior incerteza com o futuro da economia. Isso afeta o apetite do consumidor e do empresário", adicionou.

Entre novembro e dezembro, as comparações com 2010 mostraram melhora em seis e piora em 11 dos 17 segmentos pesquisados.

O Varejo Restrito registrou queda de 5,6 por cento no índice de confiança médio do trimestre, para 135,9 pontos, ante 144,0 pontos no mesmo período do ano anterior.

No Varejo Ampliado, o declínio foi de 6,7 por cento na mesma comparação, influenciado pelo segmento de Veículos, motos, partes e peças, com diminuição de 13,9 por cento. Em Material para construção, a redução foi de 4,2 por cento em dezembro, após queda de 5,7 por cento no trimestre findo em novembro.

No Atacado, o índice de confiança caiu 7 por cento em relação ao trimestre encerrado em dezembro de 2010.

Segundo a FGV, o atacado e o comércio de veículos ancoraram a queda da confiança das empresas comerciais no fim de 2011. "O atacadista vinha com uma confiança próxima à observada em 2010, e deve estar agora respondendo com defasagem a perda de confiança do varejo, que já vinha acontecendo", declarou Sales. "O setor de veículos vem de um período muito forte de vendas, favorecido por incentivos do Governo com IPI menor e oferta de crédito, mas na margem o ritmo já é bem menor, com o desaquecimento da economia e até com chegada de importados, o que levou o Governo a dar uma freada nisso", acrescentou.

PERCEPÇÃO DA DEMANDA

O Índice da Situação Atual (ISA-COM) registrou nível médio 9,7 por cento inferior ao do mesmo período de 2010, a maior queda desde maio do ano passado. Em novembro, este indicador apresentava declínio de 6,5 por cento. O ISA-COM retrata a percepção do setor em relação à demanda atual.

Na média do trimestre, 26,7 por cento das empresas avaliavam a demanda como forte e 16,9 por cento, como fraca. No mesmo período de 2010, esses percentuais eram de 31,0 por cento e 9,5 por cento, respectivamente.

O Indicador Trimestral do Índice de Expectativas (IE-COM), que mostra a percepção das empresas do setor em relação aos meses seguintes, caiu 4,6 por cento em dezembro na comparação com o ano anterior. Em novembro, a queda havia sido de 3 por cento.

Para 72,2 por cento das empresas pesquisadas, há limitações para o crescimento do setor em 2012. As limitações mais citadas foram falta de demanda, custo da mão de obra e aumento do custo financeiro. A escassez de demanda, citada por apenas 4,7 por cento dos entrevistados em dezembro de 2010, no mês passado foi mencionada por 11,3 por cento. "Não dá para dizer que há um pessimismo no ar, mas um otimismo bem mais moderado que o do fim de 2010", avaliou Sales.

O Indicador que mede a previsão de vendas foi o que mais contribuiu para a redução do otimismo, passando de 154,0 para 146,1 pontos nas médias trimestrais de dezembro de 2010 e 2011, respectivamente. Dentre as empresas sondadas, 56,2 por cento esperam melhora nas vendas (contra 60,7 por cento em 2010) e 10,1 por cento preveem piora (ante 6,7 por cento em 2010).

Tudo o que sabemos sobre:
MACROCONFIANCACOMERCIOATUALIZA1*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.