Venezuela anuncia envio de tropas para fronteira

País teria completado envio de 85% dos oito mil soldados anunciados pelo presidente.

Claudia Jardim, BBC

05 de março de 2008 | 12h55

O Ministério de Defesa da Venezuela anunciou nesta quarta-feira a mobilização de forças por "terra, mar e ar" na fronteira com a Colômbia para realizar um trabalho de "defesa" da região, em meio à crise ocasionada pela incursão militar colombiana no Equador, que resultou na morte de um líder guerrilheiro das Farc. O coordenador de operações das Forças Armadas, Jesús Gregorio González, disse que 85% das tropas já foram deslocadas aos Estados fronteiriços de Zulia, Táchira e Apure. No domingo, o presidente venezuelano Hugo Chávez, já havia ordenado o envio de dez batalhões, equivalente a oito mil soldados, à fronteira de mais de 2,5 mil km de extensão para conter uma "agressão". "Esperamos que no dia de hoje tenhamos 100% dos nossos efetivos na fronteira", disse González, em entrevista coletiva do Alto Comando Militar venezuelano.Postos fechadosAté a manhã desta quarta-feira, as fronteiras contavam apenas com os efetivos regulares que cuidam do trânsito de pedestres e de automóveis. O trânsito de caminhões foi interrompido nesta terça-feira, quando o governo decidiu fechar a fronteira, interrompendo o comércio local. Os postos de gasolina também foram fechados. No lugar dos frentistas foram colocados cartazes indicando "desculpem-nos, não há gasolina". O transporte de gasolina da Venezuela para a Colômbia é a principal atividade econômica na fronteira. "Não temos o objetivo de cruzar a fronteira, nosso trabalho é de defesa", afirmou o ministro de Defesa, Gustavo Rangel Briceño. "Estamos trabalhando pela paz, mas preparados para defender nossa soberania."A crise diplomática sem precedentes na região andina, envolvendo a Equador, Colômbia e Venezuela, teve início depois que helicópteros colombianos invadiram o território equatoriano para realizar um ataque contra membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O ataque da Colômbia no Equador, no sábado, atingiu um acampamento de guerrilheiros e matou Raúl Reyes, porta-voz das Farc e principal interlocutor do processo de negociações do acordo humanitário que prevê a libertação de reféns em troca de guerrilheiros presos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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