Venezuela compra unidade do Santander por US$1,050 bilhão

A Venezuela firmou nesta sexta-feira um acordo para comprar a unidade do grupo espanhol Santander no país por 1,050 bilhão de dólares, em mais um passo na onda de nacionalizações que o presidente Hugo Chávez está executando.

ANA ISABEL MARTÍNEZ E ENRIQUE ANDRÉS PRETEL, REUTERS

22 de maio de 2009 | 17h54

O acordo de compra do Banco da Venezuela considera que o pagamento seja realizado em parcelas, assim como permitir ao Santander a repatriação de dividendos pela taxa de câmbio oficial.

O acerto foi firmado pelo presidente da instituição, Michael Goguikian, e o ministro de Finanças da Venezuela, Alí Rodríguez, na presença do vice-presidente do país, Ramón Carrizalez, que explicou que o acordo definitivo será assinado em 3 de julho, data em que o Estado assumirá as operações do banco.

"A negociação têm se realizado dentro de um clima de cordialidade", disse Carrizalez, afirmando que se chegou a uma negociação que satisfez ambas as partes.

A Venezuela pagará 630 milhões de dólares em 3 de julho e o pagamento restante será feito em duas datas, 3 de outubro e 30 de dezembro, sendo pagos 210 milhões de dólares em cada uma.

Além disso, o acordo permite ao Santander repatriar dividendos de 182,4 milhões de dólares em 27 de maio e outros 122,3 milhões de dólares em 3 de julho, em meio ao severo controle vigente no câmbio do país desde 2003.

O Banco da Venezuela movimenta 10,18 por cento das captações públicas totais, ocupando o quarto lugar em todo o sistema bancário do país nesse quesito, e tem 11,07 por cento do mercado de crédito, atingindo o terceiro lugar.

Chávez, que diz liderar uma revolução socialista, vem nacionalizando desde 2007 grandes empresas controladas por grupos estrangeiros, e este ano tem continuado com as expropriações, em meio à repentina queda dos preços do petróleo que vem golpeando as contas do país.

O militar reformado tem assegurado que o Banco da Venezuela passará a ser de "propriedade social" para consolidar o sistema financeiro venezuelano e a economia do país, rico em reservas de petróleo, à medida que algumas das principais instituições públicas têm graves problemas operacionais.

O Santander detém cerca de 98 por cento do Banco da Venezuela, que foi privatizado em 1996 por 351 milhões de dólares, depois de passar para o comando do Estado em meio à crise financeira que assolou o país entre 1994 e 1995.

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