Venezuela suspende relações com Exxon

Processo da petrolífera americana é 'agressão jurídica e econômica', afirmou PDVSA.

Claudia Jardim, BBC

12 de fevereiro de 2008 | 23h20

A estatal venezuelana PDVSA anunciou nesta terça-feira a suspensão das relações comerciais com petrolífera americana Exxon-Mobil alegando "agressão jurídica e econômica", em resposta às ações jurídicas da petrolífera contra o decreto de nacionalização da Faixa do Orinoco. "Como um ato de reciprocidade, a PDVSA decidiu suspender as relações comerciais e de fornecimento de petróleo cru e produtos a esta empresa transnacional americana", diz uma nota oficial da estatal petrolífera venezuelana. A PDVSA diz que as ações judiciais dirigidas pela Exxon-Mobil não correspondem com "a solidez econômica e financeira" da empresa venezuelana e diz considerar os processos judiciais "desnecessários, intimidativos e hostis para a PDVSA", diz o comunicado. A estatal venezuelana diz que honrará com os compromissos relativos a investimentos comuns com a Exxon-Mobil no exterior, mas se reservou o direito de dar por terminado os contratos que podem ser rescindidos. Mais cedo, a Exxon-Mobil anunciou estar interessada em discutir com o governo da Venezuela o valor do projeto de exploração de petróleo cru que a companhia mantinha na Faixa do Orinoco, antes de ser nacionalizada em 2007. A Exxon-Mobil não aceitou as regras dos novos contratos de exploração de petróleo estabelecidos após a nacionalização e exige em tribunais internacionais o pagamento de uma compensação após sua saída do consórcio venezuelano na região da Venezuela que pode abrigar a maior reserva petrolífera do mundo. "Nós continuamos interessados em negociações substanciais com o governo da Venezuela e com a estatal PDVSA sobre o valor justo de mercado dos ativos que foram expropriados", disse Mark Albers, vice-presidente da Exxon-Mobil durante a conferência de energia CERA. As novas regras determinam que a PDVSA deve obter a parte majoritária das ações de qualquer consórcio na Faixa do Orinoco. Nova disputaA nova disputa entre PDVSA e Exxon-Mobil teve início na semana passada, quando a empresa americana anunciou ter obtido um parecer favorável de tribunais de Grã-Bretanha, Holanda e Antilhas para o congelamento de US$ 12 bilhões em ativos da PDVSA nesses países. O anúncio provocou a reação imediata do governo venezuelano, que nega que seus ativos energéticos tenham sido congelados. O processo judicial entre a Exxon-Mobil e a estatal PDVSA foi apontado pelo governo como mais um embate político com o governo americano. A PDVSA produziu uma série de propagandas de televisão que falam da participação da petrolífera tanto em casos de contaminação ambiental, como acusam a Exxon-Mobil de ter apoiado a guerra no Iraque. Uma das peças publicitárias que tem sido transmitida durante todo o dia nos canais de televisão estatais mostra imagens de pássaros mortos e do conflito no Iraque acompanhado da frase "Exxon-Mobil: uma empresa que converte petróleo em sangue". No domingo, Chávez ameaçou cortar o abastecimento de petróleo aos EUA, seu principal mercado de exportação, se a companhia continuasse com o que considera ser uma "guerra econômica" contra seu governo. O vice-ministro de Hidrocarbonetos, Bernard Mommer, disse que a proposta de Chávez é factível, mas poderia custar caro."Factível sempre é, agora tem um custo (...) sempre poderá criar desajustes econômicos, mas é possível. Neste caso, custaria dinheiro para nós e para o outro lado também (EUA)", disse Mommer ao canal de televisão estatal. A Venezuela é o quarto maior fornecedor de petróleo cru ao mercado dos EUA.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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