Verdes resistem a candidatura própria

Queda de braço com ''caciques'' de alguns Estados tem favorecido Executiva

Pedro Venceslau e Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2010 | 00h00

A filiação de Marina Silva ao PV e o lançamento de sua candidatura à Presidência da República estão forçando a Executiva Nacional a medir forças com alguns caciques do partido em diferentes partes do País. O principal motivo das disputas tem sido a resistência desses caciques ao lançamento de candidaturas próprias em seus Estados - uma das exigências de Marina para pôr a campanha na rua. Na maior parte das vezes a Executiva tem levado a melhor.

Foi o que se viu ontem, quando o ministro da Cultura, Juca Ferreira, oficializou seu pedido de suspensão da filiação partidária pelo período de um ano. Ele foi pressionado pela cúpula do PV, que agora fica mais à vontade para lançar candidato próprio ao governo da Bahia.

Único representante do PV no primeiro escalão do governo Lula, o ministro, que era influente no diretório baiano, defendia a tese de que o partido não tivesse candidato e apoiasse o nome indicado pelo governador Jaques Wagner (PT). Na queda de braço, a Executiva venceu e já definiu o candidato verde - o deputado Luís Bassuma.

Ferreira, por sua vez, ficou livre para apoiar sem nenhum constrangimento a candidata de sua preferência à Presidência, a ministra petista Dilma Rousseff. Os verdes acham pouco provável que ele retorne ao partido em 2011.

O ministro não foi o primeiro a se afastar em decorrência das polêmicas causadas pela candidatura de Marina. Em Santa Catarina, após uma intervenção branca da Executiva no Diretório Estadual, o presidente Gerson Basso, que faz parte da equipe de governo do prefeito Dario Berger (PMDB), também pediu afastamento temporário do PV. A exemplo de Ferreira, ele resistia ao lançamento de candidatura própria dos verdes.

O PV catarinense agora vai realizar prévias para definir o nome do candidato. Quatro candidatos se inscreveram.

No momento, uma das situações mais delicadas é a do Rio Grande do Sul. "O PV de lá estava fazendo corpo mole em relação à campanha da Marina", diz Maurício Brusadin, coordenador da região sul na Executiva, justificando a intervenção que foi feita no diretório gaúcho. "Trata-se do Estado mais complexo para nós, onde temos só dois vereadores. Intervenções são processos violentos. Só usamos em última instância. Mas lá não teve jeito."

No mês passado, a cúpula verde também havia feito uma intervenção no diretório de Minas Gerais.

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