Vereador pedirá informações sobre mortes por infecção

O presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores, vereador Carlos Eduardo de Mattos, envia terça-feira ofício à Secretaria Municipal de Saúde, pedindo informações sobre os dados de mortes por infecção hospitalar no Hospital Municipal Salgado Filho, na zona norte, em 2011 e 2012.

CLARISSA THOMÉ, Agência Estado

02 Abril 2012 | 19h56

Dados obtidos pelo vereador, a partir de relatório de funcionários da instituição, apontam para a morte de 363 pessoas por infecção hospitalar, em 2010, em universo de 854 pacientes - ou seja, 42,5% de óbitos, proporção considerada alto. Na Unidade de Terapia Intensiva, 30% dos 289 pacientes morreram pelo mesmo motivo, quando o índice admissível é de 5%.

A suspeita é de que a contaminação tenha ocorrido por causa de uma falha no sistema de ventilação mecânica. "Se os dados de 2010 estiverem realmente corretas e existe relação entre o sistema de ventilação mecânica com as mortes, é possível que elas tenham se repetido nos anos seguintes", afirma o parlamentar. "Minha preocupação é que o quadro esteja se repetindo".

O Ministério Público Estadual informou, em nota, que investiga o caso desde maio do ano passado e que cobrou por três vezes da Secretaria Municipal de Saúde e da Vigilância Sanitária do Estado informações sobre a vistoria no sistema de gases do hospital, sem obter resposta. O MP informa ainda que o inquérito corre em sigilo. "As requisições do MP já alertam que o não encaminhamento das respostas pelos órgãos pode configurar crime de omissão de dados técnicos e improbidade administrativa por parte das autoridades da Secretaria Municipal de Saúde e da Vigilância Sanitária do Estado - órgãos que detêm a competência técnica para fiscalizar e, eventualmente, interditar a unidade hospitalar".

A denúncia partiu de funcionários do hospital. "Além de equipamentos fora dos padrões da Anvisa, os filtros estavam entupidos com uma substância de cor esverdeada, que aparentava ser deterioração provocada pelo enferrujamento dos tubos ou limo. Isso ia para o pulmão dos pacientes", disse uma funcionária, que teme ser identificada. Ela prestou depoimento durante 10 horas ao Ministério Público.

Essa funcionária conta que os compressores estavam instalados fora dos padrões determinados. "Os compressores estavam num ambiente sujo, em vez de captar ar da atmosfera, estava ao lado de uma língua negra, do exaustor do ar-condicionado, que gera monóxido de carbono, um gás venenoso", contou a funcionária. Ela disse ainda que a empresa contratada para a manutenção de uma centena de equipamentos só fazia duas inspeções mensais.

No inquérito do MP, consta um laudo, assinado pelo biofísico e biomédico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro David dos Santos Filho que aponta o uso de um respirador que não apresenta o registro correto do volume inspirado pelo paciente, o que foi considerado gravíssimo. A Secretaria Municipal de Saúde divulgaria nota, mas até as 19h30 desta segunda-feira não havia se pronunciado.

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