VESTES SOB MEDIDA, SEJA QUEM FOR O PAPA

Alfaiataria da Santa Sé produziu modelos P, M e G

VATICANO, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2013 | 02h02

Quando o resultado do conclave for conhecido, após a contagem de votos dos cardeais reunidos na Capela Sistina, o escolhido para chefiar a Igreja Católica será questionado pelo cardeal decano, Angelo Sodano, sobre se aceita a nomeação. Se a tradição for seguida, o novo pontífice responderá "Sim, eu aceito se é a vontade de Deus". Então, ele se retirará e, auxiliado pelo alfaiate papal, vestirá pela primeira vez seu novo hábito, branco.

A veste com a qual o futuro papa aparecerá pela primeira vez aos fiéis que estiverem na Praça São Pedro, em Roma, já está pronta. Desde segunda-feira, três unidades do hábito, uma de cada tamanho - pequena, média e grande -, foram colocadas em exposição em uma vitrine por seu artesão, Lorenzo Gammarelli, o herdeiro de uma tradição iniciada em 1798: a fabricação de trajes eclesiásticos.

À época da fundação da empresa, quem ocupava o trono de Pedro era Pio VI, pontífice entre 1775 e 1799. Mas a data exata na qual os hábitos do alfaiate passaram a ser vestidos pelos papas é incerta. Lorenzo estima que, pelo menos desde o início do último século, todos os chefes da Igreja usaram suas vestimentas. "Nós somos o fabricante oficial das roupas do papa", orgulha-se Lorenzo, que guarda fotografias da vitrine de sua loja desde o conclave de 1939.

"O último papa que vestimos foi Bento XVI. O próximo saberemos em breve quem será", disse Lorenzo, que parou seu trabalho por dez minutos por uma deferência ao Brasil. "As vestes ficaram prontas e são as que estão em exposição em nossa vitrine. São três, de três tamanhos, e uma delas será a primeira usada pelo próximo papa", diz. Ele não conta o preço cobrado do Vaticano.

Os trajes preparados são confeccionados durante três a quatro dias, de forma artesanal, costurados à mão. Além do hábito branco, todos os adereços - como faixas e mantos - que completam o visual dos pontífices também passam por seu ateliê.

"Eu estou muito honrado em servir o próximo papa, seja ele quem for", diz. "Somos gratos pela oportunidade, porque sabemos que é algo muito importante para todos." / A.N.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.