Vestibular para Direito da FGV terá Seu Jorge

Estudante resolverá questões sobre música e temas contemporâneos no novo exame da Fundação Getulio Vargas

CARLOS LORDELO / ESTADÃO.EDU, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2012 | 03h02

Karl Marx deve ter se revirado no túmulo quando foram anunciadas, ontem, as mudanças no vestibular da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas em São Paulo. É que seu Manifesto do Partido Comunista está ao lado da música Burguesinha, de Seu Jorge, como duas obras de conhecimento obrigatório dos candidatos. Para a próxima edição do exame, os estudantes vão precisar "estudar" dez canções e relacioná-las a temas da atualidade, na nova prova de artes e questões contemporâneas.

"Queremos alunos capazes de articular a realidade social à produção cultural", explica Adriana Ancona de Faria, uma das responsáveis pelo processo seletivo. A banca também mudou o cálculo da nota final, atribuindo mais peso à prova de português e diminuindo a importância da redação e do exame oral.

Agora, na primeira fase, haverá questões dissertativas de língua portuguesa, língua inglesa, história, geografia, raciocínio lógico-matemático e artes e questões contemporâneas (e não mais artes visuais e literatura). A prova da segunda etapa é oral. As inscrições vão de 9 de julho a 15 de outubro, no site fgv.br/processoseletivo. Serão oferecidas 50 vagas.

A novidade do exame são as músicas. O aluno terá de conhecer, além de Burguesinha, composições de Chico Buarque (Construção), Noel Rosa (Conversa de Botequim), Beatles (Revolution) e Amy Winehouse (Rehab), entre outras. A Direito-GV tem ainda uma relação de livros, como nos vestibulares tradicionais, e listas de obras de arte e filmes (a exemplo de Tropa de Elite, Apocalipse Now e Babel).

Já as questões contemporâneas serão a globalização e a transição da modernidade para a pós-modernidade. Para abordar os temas, a banca sugere a leitura de Marx e livros do sociólogo inglês Anthony Giddens e do filósofo alemão Immanuel Kant.

Segundo Adriana, o objetivo não é verificar o conhecimento enciclopédico do candidato, mas como ele usa habilidades e competências para dialogar com a arte e as questões sociais. "O vestibular reafirma a proposta do curso: queremos alunos capazes de inovar e desenvolver suas capacidades intelectuais."

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