Veto a dalai-lama adia conferência de paz sul-africana

Governo decide não prejudicar relação com a China, parceira comercial, e nega visto ao líder tibetano

Reuters,

24 de março de 2009 | 09h33

Uma conferência na África do Sul que reuniria ganhadores do Prêmio Nobel para falar sobre a paz foi adiada devido à recusa do governo local em conceder um visto para o líder espiritual do Tibete, o dalai-lama, disseram os organizadores nesta terça-feira, 24. O governo sul-africano recusou-se a emitir um convite oficial ao líder espiritual tibetano para preservar suas relações com a China.

Vários laureados do Nobel ameaçaram boicotar o evento por causa do veto ao dalai-lama, que segundo a imprensa local foi barrado por uma pressão da China, grande fonte de investimentos e comércio para a África do Sul. O governo sul-africano diz que não recuará da decisão.  A conferência, que deveria ocorrer na sexta-feira, teria relação com a realização da Copa do Mundo de 2010 no país. O objetivo era usar o futebol como forma de combater a xenofobia e o racismo.

"Decidimos adiar a conferência até segunda ordem", disse Irvin Khoza, presidente do Comitê Organizador da Copa. De acordo com ele, o evento só ocorrerá quando todos os convidados puderem participar.  O porta-voz governamental Thabo Masebe havia dito que a presença do dalai-lama não atendia aos interesses sul-africanos no momento. "Mantemos nossa decisão. Nada vai mudar. O dalai-lama não será convidado à África do Sul. Não lhe daremos um visto entre agora e a Copa do Mundo", afirmou.

 

O dalai havia sido convidado a participar da conferência pelos sul-africanos Desmond Tutu, FW de Klerk e Nelson Mandela, todos também laureados com o Nobel da Paz. A recusa motivou duras críticas de partidos da oposição, num país que se orgulha de ter virado modelo de democracia e direitos humanos desde o fim do apartheid, em 1994. O dalai-lama fugiu do Tibete em 1959, após uma frustrada rebelião contra o domínio chinês, e desde então vive exilado na Índia. Há um ano, uma onda de protestos contra a presença chinesa provocou tumultos que mataram 19 pessoas e desencadearam uma forte repressão por parte do regime comunista. Grupos de exilados dizem que mais de 200 pessoas morreram nesses episódios subsequentes. 

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