Veto reduz opções para perda de peso

Proibição da venda de emagrecedores proposta pela Anvisa pode aumentar busca por cirurgias de redução de estômago, dizem médicos

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

A proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a comercialização dos medicamentos usados no tratamento da obesidade trouxe à tona um debate complexo, que envolve indústria farmacêutica, médicos, pacientes e governo.

De um lado, endocrinologistas defendem a medicação e dizem que, sem ela, muitos ficarão "órfãos" e vão procurar formas clandestinas de tratamento ou optar pela cirurgia de redução de estômago - medida considerada drástica e de última escolha.

De outro lado, técnicos da Anvisa fizeram uma extensa revisão de estudos clínicos envolvendo todas as drogas em questão (femproporex, dietilpropiona, mazindol e sibutramina) e afirmam que os dados da literatura apontam que os benefícios da perda de peso proporcionada por esses medicamentos não superam os riscos.

Além disso, a agência alega que essas drogas foram banidas da União Europeia e dos Estados Unidos - argumento questionado pelos médicos, que afirmam que os EUA possuem dietilpropiona e fentermina (outro medicamento com mecanismo de ação parecido).

A questão será debatida em uma audiência pública, convocada pela Anvisa para ocorrer nesta quarta-feira. A agência vai reservar 40 minutos para expor seus argumentos sobre segurança e eficácia dessas drogas e dará a oportunidade para um membro da Associação Médica Brasileira (AMB) expor o posicionamento da classe médica.

Após o debate, a expectativa da agência é publicar uma resolução definitiva sobre o tema até o final do mês de março.

A proibição desses medicamentos é praticamente certa. Aos pacientes, restarão duas opções: emagrecer com reeducação alimentar e exercícios físicos ou se submeter à cirurgia.

O Estado conversou com duas ex-obesas mórbidas. Com histórias de vida parecidas, as duas seguiram caminhos diferentes para emagrecer. Leia abaixo.

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