Viagem gourmet? Suba a serra do Rio

Intacta, apesar da tragédia das chuvas no início do ano, a gastronomia da serra fluminense continua sendo um grande programa de boa mesa. São 150 quilômetros pontilhados de restaurantes, pousadas e produtores

Márcia Vieira, RIO,

09 de março de 2011 | 20h48

A gastronomia permanece intacta na região serrana do Rio. Os restaurantes e produtores locais não foram afetados pela tragédia das chuvas no começo do ano, que atingiu a cidade de Friburgo, abalou a periferia de Teresópolis e devastou o Vale do Cuiabá em Itaipava, próximo a Petrópolis. A maioria dos endereços gastronômicos, assim como os acessos a eles escapou ilesa. "Não sofremos nada com as chuvas. Foi um episódio muito localizado", diz Laura Góes, com 30 anos de serra e à frente da Pousada Alcobaça, em Corrêas, distrito de Petrópolis. "Tivemos uma queda na frequência, mas os clientes estão voltando", garante.

Com dezenas de pousadas e restaurantes espalhados por uma extensão de 150 km, a região oferece variedade gastronômica de fazer inveja à capital - um excelente trajeto para quem gosta de comer. Os primeiros restaurantes subiram a serra fluminense no início dos anos 80. No rastro deles vieram produtores de legumes e verduras orgânicas e criadores de cabra, ovelha, pato: era preciso abastecer as cozinhas.

O roteiro da serra tem dois caminhos. O mais variado e estrelado fica em Petrópolis e arredores, a 80 quilômetros do centro do Rio pela rodovia que leva até Juiz de Fora. É o que os cariocas chamam de Vale dos Gourmets. Os distritos que cercam a cidade imperial - onde D. Pedro II e a corte se refugiavam para fugir do infernal calor do Rio no verão - reúnem cozinhas variadas, como a do italiano Danio Braga, do Locanda della Mimosa, no Vale Florido, e a brasileiríssima comida de Laura Góes, da Pousada Alcobaça, em Corrêas.

O segundo caminho começa em Teresópolis, a 100 quilômetros do centro do Rio, e vai até o município vizinho, formando o circuito Terê-Friburgo. Veja ao lado os lugares que se destacam.

 

 

LUGARES QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER

 

 

Pousada Alcobaça

A Alcobaça funciona num casarão construído em 1914. Da cozinha de Laura Góes saem pratos simples e saborosos, como a carne assada com molho ferrugem. Aos sábados tem feijoada. Uma vez por mês a anfitriã prepara seu famoso cozido. "Não tem dia certo. Telefono para os clientes e aviso", conta d. Laura. O cardápio traz ainda pratos que ela pesquisou nos cadernos das avós. As verduras e os legumes são cultivados ali mesmo. Na sobremesa, não perca o doce de leite. Depois da refeição, passeie pelos jardins de rosas, bromélias, orquídeas.

Por que ir: pela combinação ímpar de acomodação e hospitalidade que d. Laura oferece

Prove: o famoso cozido de legumes e verduras da horta

Onde fica: R. Agostinho Goulão, 298, Petrópolis, (24) 2221-1240

 

 

Locanda della Mimosa

A maior estrela da gastronomia da região, o italiano Danio Braga subiu a serra há 18 anos para instalar o seu Locanda della Mimosa às margens da rodovia que liga o Rio a Juiz de Fora.

Misto de restaurante e pousada com apenas seis quartos, o Locanda é o cartão de visitas da serra carioca. Fica num vale cercado pela mata em que se ouvem os passarinhos e a água das fontes do jardim. O cardápio é sofisticado e traz dois menus: o tradição e o inovação.

Por que ir: é o cartão de visita da serra fluminense. Único integrante do Les Grandes Tables de Monde na América Latina.

Prove: ravióli de galinha d’angola com creme de feijões brancos e vinagrete de ervas.

Aproveite: a premiada adega com mais de 500 rótulos.

Onde fica: Al. das Mimosas, 30, Vale Florido, Petrópolis, (24) 2233-5405

 

Imperatriz Leopoldina

O restaurante Imperatriz Leopoldina funciona num palacete neoclássico de 1875, que serviu de moradia temporária à Princesa Isabel. Com pé-direito alto e paredes decoradas com afrescos, a casa comandada pela chef Claudia Mascarenhas faz parte do hotel Solar do Império. O cardápio traz receitas típicas da culinária brasileira.

Prove: o picadinho Solar com arroz de banana frita e flan de parmesão. "É um picadinho metido a besta", avisa a chef, que também se inspira em outras culinárias.

Onde fica: Av. Koeller, 376, Petrópolis, (24) 2103-3000

 

 

Alvorada

O forno a lenha está sempre aceso e todos os pratos passam por ele. "A lenha proporciona calor e aroma inconfundíveis. A gente consegue assados muito especiais", define o paraense Paulo Pinho. É ele quem cria os pratos e cuida da cozinha enquanto a mulher, Márcia, recebe os clientes. O Alvorada é um típico restaurante da serra, com mesas ao ar livre e um mesão sob as árvores à beira do riacho. Os pratos são preparados com ingredientes da região, a cerca de 30 minutos do Alvorada.

Prove: na entrada, o bombom de brebier, um dos sucessos de público, feito com cogumelo paris e brebier, queijo de leite de ovelha produzido na Quinta da Pena, um sítio no Vale das Videiras. Para os vegetarianos, Paulo Pinho criou a moquequinha de cogumelos com farofa e banana assada.

Onde fica: Estrada Bernardo Coutinho 1.655, Araras, RJ. (24) 2225-1118 e (24) 2225-2021

 

D. Irene

Uma refeição típica da Rússia czarista servida na forma de menu degustação aguarda os clientes (R$ 90 por pessoa, menos bebidas e serviço). Desfrute o banquete sem pressa.

Destaque do menu: as entradas, que incluem arenque marinado, rodelas de pepino com caviar, pequenas porções de salada e pastinhas variadas

Não perca: a vodca artesanal na garrafinha coberta de gelo.

Onde fica: R. Tenente Luiz Meirelles, 1.800, Teresópolis, (21) 2742-2901 e (21) 2643-3813

 

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