Viagens à Amazônia e Antártida conscientizaram Ban Ki-moon

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon,disse no sábado que suas visitas à Antártida e Amazônia oajudaram a compreender a necessidade premente de combater amudança climática. Quase 200 países reunidos em Bali chegaram a um acordo parainiciar negociações de um pacto de combate ao aquecimentoglobal, mas apenas depois que uma mudança de postura dosEstados Unidos permitiu um avanço histórico. Ban, que tornou a mudança climática em uma prioridade daONU, visitou no mês passado a América do Sul e viu geleirasderretendo na Antártida, onde as temperaturas são as mais altasem 1.800 anos. Ele também foi à Amazônia, no Brasil, lídermundial em biocombustíveis considerados uma alternativa aoscombustíveis fósseis. "Aquela visita também me tornou muito mais convencido deminha convicção. Aquilo me deu mais poder persuasivo ao falarcom outras pessoas", disse Ban em entrevista a bordo do vôo dacapital do Timor Leste, Dili, para Jacarta, via Bali. O secretário-geral da ONU parou em Bali para fazer umdiscurso de última hora, conclamando os negociadores a darem umfim ao impasse nas negociações. O avanço do diálogo ocorreu pouco depois que os paísesaprovaram um "guia" para dois anos de negociações de um tratadoque sucederá o Protocolo de Quioto em 2012, incluindo osEstados Unidos e países em desenvolvimento com China e Índia. O acordo, fechado depois de duas semanas de negociações,ocorreu depois que Washington abandonou a oposição à propostado bloco dos países em desenvolvimento, o G77, de que paísesricos tomem mais iniciativas para ajudar os países emdesenvolvimento a combater as emissões dos gases do efeitoestufa. Ban disse que ajudou a aumentar a consciência mundial sobrea mudança climática, que, segundo o painel de clima da ONU, écausada por atividades humanas de uso de combustíveis fósseisque produzem dióxido de carbono, o principal gás do efeitoestufa. "Se você observar a situação do ano passado ou mesmo docomeço deste ano, não havia muita compreensão e consciência,"disse Ban, que visitou quase 60 países em seu primeiro ano comosecretário-geral da ONU. "Este é um momento definidor para mim e meu mandato comosecretário-geral," disse o secretário-geral de 64 anos em outraentrevista à Reuters, pouco depois que o acordo foi fechado eantes de embarcar no avião da ONU para ir à Jacarta. "Aplaudo que todos os países (...) tenham reconhecido queesta é uma agenda definidora para toda a humanidade, para todoo planeta Terra," disse Ban, ex-ministro das RelaçõesExteriores da Coréia do Sul. Ele disse, entretanto, que ainda há muito que fazer. "Este é só o começo, um começo das negociações. No ano quevem, teremos que nos envolver em um processo de negociaçãomuito mais difícil e complexo." TIMOR LESTE Ban também fez sua primeira visita ao país mais jovem daÁsia, o Timor Leste, que estava engolfado no caos no anopassado, com disputas violentas entre facções, que mataram 37pessoas e deixaram mais de 100 mil desabrigados. "Este é um desafio imenso. Quase um décimo da populaçãoestá agora morando em acampamentos," disse Ban, que foi a umacampamento de refugiados na capital, Dili, em sua visita de umdia. As Nações Unidas vão decidir em fevereiro se estenderão suamissão no país, que se tornou independente em 2002, depois deum referendo que decidiu pela separação da Indonésia em umavotação marcada pela violência, em 1999.

ED DAVIES, REUTERS

15 de dezembro de 2007 | 16h28

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