Vice de Marina, Guilherme Leal é um idealista realizador

O enredo pode parecer familiar para o eleitor brasileiro: o empresário de sucesso entra na política e ocupa a vaga de vice na chapa liderada por um político de origem humilde que precisa dar à iniciativa privada um sinal de que não empreenderá aventuras na condução da economia.

FERNANDO EXMAN, REUTERS

10 de junho de 2010 | 15h16

Mas Guilherme Leal, candidato a vice-presidente da República na chapa de Marina Silva (PV), quer mais. Um dos fundadores e copresidente licenciado do Conselho de Administração da Natura, ele tem como objetivo colocar em destaque na agenda nacional a responsabilidade social e, sobretudo, a sustentabilidade.

"Ele é um idealista. Por isso, se engaja em vários movimentos. Mas tem o pé no chão, não é aquele idealista falido. Ele é o exemplo de como um discurso é feito na prática com sucesso", disse à Reuters o presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Oded Grajew, amigo pessoal de Leal há 22 anos.

De fato. Graduado em administração de empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e considerado um dos homens mais ricos do mundo, o candidato a vice-presidente se envolveu nos últimos anos com entidades empresariais e da área social nos setores de venda direta, desenvolvimento industrial e urbano, direitos das crianças e adolescentes e consumo consciente.

A decisão de entrar na política ocorreu justamente depois de uma longa militância em organizações não governamentais. Leal, por exemplo, é fundador e membro do conselho deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, foi integrante do conselho consultivo da WWF-Brasil e presidente do conselho do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

Segundo uma pessoa que trabalhou com ele, o empresário fez da defesa da sustentabilidade sua causa de vida. "Todo esse posicionamento sustentável da Natura foi idealizado e impulsionado por ele", comentou, pedindo para não ser identificada.

A percepção dos amigos é de que o empresário aceitou entrar na campanha presidencial por ter visto na empreitada uma oportunidade de levar essa mensagem a todo o Brasil em um momento em que os eleitores discutirão os rumos do país.

"Isso não está na pauta. Se estivesse, os dois (Guilherme Leal e Marina Silva) não entrariam (na campanha). Se tivesse outro candidato comprometido com isso, ele não sairia nunca (candidato)", ressaltou Oded Grajew.

Nascido em Santos, litoral de São Paulo, em 22 de fevereiro de 1950, Guilherme Leal é uma pessoa perfeccionista e discreta. Tanto que a palavra de ordem dada aos funcionários da Natura é não comentar sua vida pessoal ou estilo. Ele é casado pela segunda vez e tem dois filhos do primeiro relacionamento.

Leal vem de uma família de classe média. No final da década de 1970, depois de deixar uma superintendência da Fepasa, empresa estatal de transporte ferroviário de São Paulo, decidiu investir em uma pequena empresa de cosméticos, a Natura, desafio que lhe rendeu um infarto oito anos depois, aos 37.

Em maio, ele licenciou-se dos cargos de copresidente do Conselho de Administração e membro do Comitê de Governança Corporativa da companhia para participar da campanha e tornar-se "o vice dos sonhos", nas palavras da própria Marina. Os dois se conheceram no final da década de 1990 devido às suas lutas pela defesa do meio ambiente.

(Reportagem adicional de Isabel Versiani)

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