Vice-diretor do Direito da USP diz que não vai renunciar

Em entrevista ao Estado, Paulo Casella afirma que vai continuar dando aula e que os alunos estão sendo manipulados

Carlos Lordelo, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2010 | 00h00

O vice-diretor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, afirmou ontem ao Estado que não vai renunciar ao cargo e que se afastou para ajudar a apuração dos fatos. "Querem transformar isso como se eu tivesse tentado tomar o poder. Os alunos estão sendo manipulados porque não sabem direito o que ocorreu", disse.

Alvo de sindicância, Casella pediu afastamento de 30 dias, enquanto uma comissão investiga se ele tentou revogar ordem de transferência dos livros da biblioteca do edifício anexo, na Rua Senador Feijó, para o prédio histórico, no Largo São Francisco. A iniciativa contraria decisão judicial e ordem do diretor da unidade, Antonio Magalhães Gomes.

"Apenas me afastei do cargo, mas vou continuar dando aulas. Saí para que a apuração seja feita e para não dizerem que estou usando minha posição para impedir a investigação", disse.

Segundo ele, não é primeira vez na história da faculdade que ocorrem desentendimentos na direção. "Não tem mais clima para trabalhar (com Magalhães), mas fui eleito para ficar quatro anos e não cogito a hipótese de pedir renúncia."

O vice-diretor classifica o ocorrido como "pequeno incidente" e afirma que os alunos estão usando o episódio para paralisar as aulas. "Acho importante meu afastamento não servir de pretexto para o que alguns colegas chamam, com ironia, de férias de maio", diz. Segundo ele, todo mês de maio os alunos têm a tradição de paralisar as aulas.

"Estão querendo usar um pequeno desencontro de informações no dia 7 de maio (quando ele teria tentado revogar a ordem) para encobrir o que ocorreu no dia 12 (dia do protesto na faculdade)", afirma. Segundo Casella, na manifestação, os diretores do centro acadêmico rasgaram uma obra de autoria dele, na presença do diretor da faculdade.

Casella afirma que, assim que recebeu a ordem da volta dos livros, instruiu funcionários para que isso fosse feito. E garante não ter ameaçado nenhum servidor. "A funcionária tinha dito que sairia em junho. Não faz sentido ameaçar."

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