Vigia mata cliente de loja após discussão em SP

Vigia foi preso e indiciado por homicídio doloso - por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima

José Dacauaziliquá, do Jornal da Tarde,

12 Novembro 2008 | 08h38

O metalúrgico Alberto Milfont Júnior, de 23 anos, foi assassinado na tarde de segunda-feira, com um tiro na cabeça, dentro de uma loja das Casas Bahia, na Estrada de Itapecerica, no Campo Limpo, zona sul de São Paulo, pelo segurança Gilberto Silva Souza, de 29 anos. O vigia, funcionário de uma empresa terceirizada, foi preso e indiciado por homicídio doloso duplamente qualificado (motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima).   Segundo a Polícia Federal, o segurança tinha autorização para trabalhar armado. Advogados da empresa Gocil, onde Souza trabalhava, entregaram ontem cópia do registro do revólver 38 e o certificado do curso de reciclagem, com validade até 13 de abril de 2009.   A vítima teria ido à loja com a namorada, a esteticista Darilene Pereira Ribeiro, de 22 anos, e um amigo, para comprar um colchão. "Fomos bem atendidos pela vendedora e escolhemos o produto. Fui para o caixa pagar, enquanto os dois ficaram na frente da loja", disse Darilene. Milfont Júnior e o amigo estavam sentados no sofá, exposto do lado de fora da loja, quando o segurança se aproximou. "Ele (Souza) julgou a gente pela roupa que vestíamos. Desconfiou que estivéssemos lá para roubar", disse o rapaz que acompanhava o casal.   O metalúrgico e o vigia começaram a bater boca. "Eu sou cliente, estou comprando", disse a vítima. E foi até o caixa pegar a nota fiscal com a namorada. Segundo o adolescente, o gerente levou o segurança de volta para o seu posto. Milfont, então, foi até Souza e mostrou o comprovante de pagamento. Os dois voltaram a discutir. "O vigia sacou a arma e perguntou para o meu namorado se ele duvidava que tinha coragem de atirar", disse Darilene.   Milfont Júnior disse que duvidava e o segurança decidiu atirar. À polícia, Souza contou que o metalúrgico deu quatro passos para trás e fez menção de que sacaria uma arma. O rapaz foi levado ao Pronto-Socorro do Campo Limpo, onde morreu. "Ainda tentei me colocar na frente, mas o segurança apontou o revólver para mim. Por que ele atirou na cabeça? Poderia ter dado um tiro para o alto. Ele atirou para matar", desabafou Darilene.   O casal, que estava junto há cinco anos, tem um filho, Gustavo, de 5 meses. "Morávamos separados e tínhamos pouco contato durante a semana. Estávamos comprando a mobília aos poucos. O nosso plano era alugar uma casa", disse a namorada. Ela falou que Milfont Júnior era "pé no chão". Enquanto ela queria casar e depois arrumar as coisas, o namorado queria ir aos poucos e construir "uma vida em comum, com mais base". A mobília do casal ficava guardada na casa dos pais de Darilene.   "Ele era tranqüilo, não fazia mal a ninguém. Nós nos conhecemos desde criança. Não fizemos nada de errado dentro da loja", afirmou o adolescente, de 17 anos, que acompanhava o casal nas Casas Bahia. O vigia foi preso e levado ao 37º Distrito Policial (Campo Limpo). "As testemunhas e o indiciado contaram versões que se encaixam, com exceção de alguns detalhes. Mas nada que mude a história do crime", disse o delegado titular Gilberto de Castro Ferreira.   Enterro   O metalúrgico foi enterrado na tarde de terça-feira, no Cemitério Gethsemani, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Cerca de 70 parentes e amigos participaram do funeral. Eles estavam inconformados com a banalidade do crime e a frieza de Souza.   A mãe do metalúrgico, Francisca Aldeiza Milfont, passou mal e foi retirada por parentes, antes mesmo do fim da cerimônia. Em nota, as Casas Bahia informaram que os fatos estão sendo apurados e a rede está à disposição para cooperar no que for necessário com a investigação do crime.

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