Vigilância quer restringir entrada em navio

Pessoas com risco de ter gripe forte não devem embarcar nesta segunda-feira no MSC Armonia

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2012 | 03h03

Autoridades sanitárias do Brasil recomendarão que pessoas com risco de desenvolver forma grave de gripe não embarquem no navio MSC Armonia, que retornará ao Brasil nesta segunda-feira depois de passar pelo Uruguai e Argentina.

Um surto de influenza B foi identificado na embarcação depois que a tripulante brasileira Fabiana Pasquarelli, de 30 anos, morreu, no sábado passado, vítima de uma infecção respiratória aguda. Pelo menos outros 21 casos de gripe foram registrados no navio entre tripulantes e passageiros.

"Pessoas com diabetes, gestantes e transtornos neurológicos, por exemplo, serão aconselhadas a não embarcar", afirmou Cláudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.

A recomendação para que o embarque seja adiado vale também para crianças menores de 2 anos, adultos com mais de 60 anos, pessoas com doenças crônicas, como asma, problemas hepáticos, renais e neurológicos que não tiverem sido vacinadas contra influenza no último ano.

Registros. Além de informar as pessoas que estão no porto, funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da vigilância de Santos e do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado deverão, antes de o navio atracar, fazer uma vistoria nos registros da embarcação.

Maierovitch afirma que fiscais deverão certificar-se de que todas as providências foram adotadas e o número de casos suspeitos está controlado. Pessoas com sintomas de gripe deverão receber, antes mesmo de desembarcar, a indicação para uso de oseltamivir, medicamento utilizado para tratar gripe suína.

Aqueles que tiveram contato com pessoas com sintomas da doença também deverão ser medicados preventivamente. A recomendação vale ainda para tripulantes que deixarem o navio.

Maierovitch afirma que integrantes da vigilância e do ministério mantêm contato, por rádio, com a equipe médica do navio. "Seja como for, antes do desembarque será feita uma triagem para identificar pessoas com sintomas de gripe, como tosse e febre."

Brasileira. Fabiana Pasquarelli, que trabalhava como garçonete no navio, foi internada no dia 15, com um quadro grave de infecção respiratória e passou a respirar com a ajuda de aparelhos.

A família da moça afirma que, antes mesmo de embarcar para o cruzeiro, ela já apresentava sintomas de uma gripe forte.

A internação ocorreu pouco depois de o navio zarpar, para uma viagem de três noites por Ilha Grande (RJ) e Ilhabela (SP), com 2 mil passageiros a bordo. No sábado cedo, quando o transatlântico retornou a Santos, outros tripulantes e passageiros apresentaram sintomas de gripe e foram internados. Após inspeção da Anvisa ao navio, os passageiros desembarcaram e a tripulação foi vacinada.

No próprio sábado, outros 2 mil passageiros embarcaram, e o navio deu início a um cruzeiro de nove dias para Argentina e Uruguai. Em Montevidéu, outros tripulantes queixaram-se de febre e dores nas costas. Depois, já em Buenos Aires, outras pessoas apresentaram sintomas de influenza B. / LÍGIA FORMENTI

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