'Vilanizar' a polícia é covarde, diz assessor da SSP-SP

O problema da segurança pública historicamente é discutido como problema de polícia, o que é um equívoco na avaliação do assessor da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fábio Bechara. "''Vilanizar'' a polícia militar me parece exagerado e até covarde", afirmou ao participar do debate "Manifestações de Rua e a Segurança Pública: limites e controvérsias", promovido pelo Centro de Estudos em Administração Pública e Governo (Ceapg), da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp), e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo.

CARLA ARAÚJO, Agência Estado

24 Junho 2013 | 16h23

Bechara diz reconhecer que os mecanismos de controle sobre a ação policial devem ser aprimorados e os eventuais abusos, punidos. "O que me preocupa no discurso inflamado é ignorar o trabalho que as polícias desempenham no dia a dia que muitas vezes é invisível", afirmou, ressaltando que não é correto fomentar o discurso negativo contra os órgãos de segurança.

Segundo Bechara, o secretário de segurança do Estado, Fernando Grella Vieira, desde "o primeiro momento (das manifestações), teve como primeiro gesto a tentativa de conversar e estabelecer diálogos", disse. Para o assessor, é importante "que não se aproveite da temperatura elevada" para explorar o debate de forma política. "Segurança é uma questão que tem que ser suprapartidária."

Bechara reconhece as falhas do atual sistema de segurança e acredita que uma das soluções é aprimorar os mecanismos de transparência. Segundo ele, se houver abusos a partir dessas manifestações, o "Estado tem de ser cobrado". "É preciso avaliar o que isso vai mudar em relação ao protocolo e dar uma satisfação pública para evitar que essas situações se repitam."

Para o assessor, é também importante, para melhorar a eficiência da abordagem policial e do controle dos protestos, que "abusos (por parte de ação da polícia) comprovados sejam punidos". "É preciso transparência não só no dado criminal, mas em relação aos procedimentos, comportamentos, e (explicar) por que a decisão é tomada", reforçou.

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