'Vinda de estrangeiros à Jornada será facilitada'

Visto de entrada, por exemplo, não será cobrado. Para ministro, há chance de o papa também passar por Brasília

Entrevista com

LUCIANA NUNES LEAL , RIO, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2013 | 02h03

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse ontem que "há muita chance" de o papa Francisco acrescentar uma visita a Brasília no roteiro da viagem ao Rio de Janeiro que, extraoficialmente, já inclui Aparecida (SP).

O pontífice deverá passar seis dias no País, entre os dias 22 e 28 de julho, para participar da Jornada Mundial da Juventude e já há toda uma agenda para ele cumprir, que inclui visitas a uma favela, ao Cristo Redentor e à ala de um hospital reservada para dependentes químicos.

Ligado aos movimentos sociais da Igreja Católica, Carvalho é um dos ministros mais próximos da presidente Dilma Rousseff e a acompanhou na viagem a Roma. Para o ministro, a "informalidade e simplicidade" do novo papa deverão atrair um número ainda maior de jovens ao Rio. A previsão da Arquidiocese do Rio é de que o encontro reúna 2 milhões de fiéis. Segundo Carvalho, há um plano para facilitar a passagem dos estrangeiros pelas fronteiras do País e o controle de imigração dos aeroportos.

Como será o roteiro do papa Francisco no Brasil?

O papa destacou a disposição de ampliar a agenda no Brasil. Ele faz questão de passar por Aparecida. Além de uma visita pastoral, há uma demanda para que seja uma visita oficial de chefe de Estado. Tem muita chance de ele aceitar. Ele entraria no Brasil pela capital, Brasília, e depois viria ao Rio. Prestaríamos as honras de chefe de Estado e haveria uma conversa com a presidente. Dilma viria ao Rio para a missa final, no dia 28 de julho.

O papa fez menção a uma viagem à Argentina?

Não foi falado, mas acho difícil que ele venha à América Latina e não vá à Argentina. Se ele não for à Argentina, vai haver um grande afluxo de argentinos para cá. Se ele for, haveria um esvaziamento na vinda de argentinos para o Brasil. Mas não nos cabe opinar sobre isso.

Qual é a maior preocupação na organização da Jornada?

O afluxo é uma grande preocupação. Você não pode imaginar a mobilização que temos de fazer. Tem uma logística de transporte aéreo e terrestre enorme. Pelo estilo popular do papa, a Jornada Mundial da Juventude ganha uma nova dimensão.

Como será o esquema para a chegada de estrangeiros?

Tomamos alguns cuidados. O primeiro deles foi a simplificação do visto de entrada no Brasil para os países que precisam. O visto não será pago. Basta que a arquidiocese nos mande uma lista dos jovens que vão chegar para que sejam liberados imediatamente no aeroporto. Haverá uma simplificação do atendimento. A mesma coisa faremos nas fronteiras. Tem de ter algum cuidado, porque pode ter alguém infiltrado, por isso será importante que a arquidiocese mande a lista dos participantes estrangeiros.

O que o senhor espera que seja o legado da jornada?

Nós enxergamos a jornada com algo que vai muito além das fronteiras da Igreja Católica. Pode trazer grande benefício para a juventude brasileira. É muito importante no momento em que estamos lançando o programa Juventude Viva, que procura fazer prevenção da juventude contra a violência e as drogas. Temos uma boa conversa com a Igreja para que a jornada aborde fortemente esses temas. É uma questão espiritual com dimensão social. O papa disse à presidente Dilma que tem muito interesse nessa abordagem. Esse espírito que o papa mostra de maior informalidade, simplicidade, vai produzir um impacto muito positivo na juventude, como retomada de energia, de ânimo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.