Violência continua na Síria e ONU aguarda resposta de Damasco

Forças sírias mataram dezenas de pessoas perto de uma mesquita na cidade de Idlib, disseram militantes da oposição nesta terça-feira, enquanto rebeldes mataram pelo menos 10 soldados em uma emboscada na mesma região, que está no foco da recente repressão do governo.

OLIVER HOLMES E ERIKA SOLOMON, REUTERS

13 Março 2012 | 12h36

Imagens de vídeo mostraram os corpos ensanguentados de vários homens não identificados espalhados no chão da mesquita. Uma voz, cujo dono não era visto, afirmava que era impossível movê-las devido ao bombardeio pesado.

Desertores do Exército atacaram um posto de controle na região de Idlib, no noroeste do país, matando os 10 soldados e possivelmente mais, enquanto os rebeldes também mataram 12 membros das forças leais ao presidente Bashar al-Assad, na cidade de Deraa, no sul, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

Também havia relato de confrontos na cidade de Deir al-Zor, no leste, e na terceira maior cidade da Síria, Homs, com o levante que já dura um ano contra o regime autoritário de Assad cada vez mais se assemelhando a uma guerra civil.

Falando após uma reunião com opositores de Assad na Turquia, o enviado especial conjunto da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, disse que estava esperando para mais tarde nesta terça-feira uma resposta da Síria para as "propostas concretas" que havia feito para acabar com a crescente violência.

O Parlamento sírio informou que Assad ordenou uma eleição legislativa para 7 de maio, que seria realizada sob uma nova Constituição aprovada por um referendo no mês passado, que a oposição e seus aliados ocidentais e árabes descartaram como sendo uma farsa.

Apesar da crescente pressão internacional sobre ele na forma de sanções, Assad tem aliados importantes, notadamente no Irã. E as potências mundiais continuam em desacordo sobre como lidar com a crise, com Rússia e China ainda apoiando o líder sírio.

Enquanto um número cada vez maior de refugiados tenta fugir dos combates, o grupo de direitos humanos Human Rights Watch disse que as forças sírias estavam colocando minas perto das fronteiras com o Líbano e a Turquia, ao longo das rotas usadas pelos civis para escapar da violência.

A província de Idlib faz fronteira com a Turquia e se tornou um esconderijo para os rebeldes, atraindo represálias do Exército.

Um ativista em Idlib, falando por telefone, disse que as forças de segurança mataram 11 pessoas que tentavam deixar a área há dois dias e as jogaram na mesquita al-Bilal.

Mais corpos foram levados para a mesquita na segunda-feira, mas quando moradores foram inspecionar os corpos, eles também ficaram sob fogo, elevando o número de mortos para mais de 50, disse ele. Outro ativista contatado pela Reuters confirmou os assassinatos.

"Quando as pessoas vinham da vizinhança nesta manhã, as forças de segurança também começaram a disparar contra elas. No total, cerca de 45 pessoas foram massacradas", afirmou o homem, que, como muitos na Síria, deu apenas seu primeiro nome, Mohammed, por medo de represálias.

Ativistas disseram que os corpos de outras seis pessoas foram encontrados na aldeia vizinha de Maarat Shureen.

Relatos da Síria não podem ser verificados de forma independente porque as autoridades negam o acesso a grupos de direitos humanos e jornalistas.

Mais de 8 mil pessoas morreram no levante da Síria, incluindo muitas mulheres e crianças, disse o presidente da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, na segunda-feira.

O governo sírio afirma que mais de 2 mil policiais e soldados do Exército foram mortos por "grupos terroristas armados", culpando a interferência estrangeira pela agitação, mas não deu número para a morte de civis.

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