Violência na Síria continua; Annan pede respostas a Assad

Forças leais ao presidente da Síria, Bashar al Assad, atacaram na quarta-feira redutos rebeldes em vários pontos do país, num conflito que entra em seu segundo ano sem a perspectiva de uma solução negociada.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

14 Março 2012 | 10h48

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, disse ter recebido uma resposta de Damasco acerca das propostas de paz que ele apresentou no fim de semana, e agora espera esclarecimentos.

A imprensa oficial síria acusou "terroristas armados" de matarem 15 civis, inclusive crianças pequenas, em um bairro de simpatizantes do governo na cidade de Homs (centro), principal foco do conflito nas últimas semanas.

Em Deraa (sul), berço da rebelião síria - que começou com protestos pacíficos por democracia, mas agora evoluiu para uma insurgência armada -, ativistas da oposição disseram que tropas do governo destruíram edifícios com canhões antiaéreos.

Houve relatos de bombardeios com tanque também na aldeia de Al Janoudieh, na região de Idlib (norte).

Os relatos vindos da Síria não podem ser confirmados de forma independente, por causa das restrições das autoridades ao trabalho de jornalistas e entidades de direitos humanos.

A ONU diz que as forças de Assad já mataram mais de 8.000 pessoas em um ano. O Acnur (agência da ONU para refugiados) informou na terça-feira que cerca de 230 mil sírios fugiram das duas casas nesse período, dos quais cerca de 30 mil foram para o exterior.

A Anistia Internacional divulgou relatório dizendo que sírios detidos durante a rebelião foram submetidos a torturas disseminadas, numa forma de crime contra a humanidade.

Diplomatas alertam que a Síria, assolada por divisões sectárias, pode enfrentar uma guerra civil de estilo balcânico se não houver uma solução política. O governo sírio é controlado pela seita alauita, mas a maioria da população é muçulmana sunita.

Durante visita no fim de semana, Annan apresentou a Assad um plano de paz com cinco pontos. Uma fonte diplomática do Oriente Médio disse que os sírios pediram mais detalhes.

"Os sírios estão levando Annan a sério. Não há um 'não', mas eles estão discutindo alguns dos pontos dos quais não estão convencidos (...). A resposta que Annan (recebeu) vai precisar de uma semana para ser entendida", afirmou essa fonte.

Na frente militar, o Exército parece estar conseguindo obrigar a um recuo dos rebeldes, que estão precariamente armados.

Seguindo um padrão visto anteriormente em Homs, os militares assumiram o controle de grande parte da cidade de Idlib (norte), primeiro atacando com munição pesada, antes de realizar buscas casas a casa, segundo ativistas.

Muitos refugiados chegaram na quarta-feira à Turquia, dizendo que foram alertados de que suas aldeias, na província de Idlib, seriam atacadas pelo Exército nas próximas horas.

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