Vírus da gripe aviária se concentra na garganta em humanos, diz estudo

Um novo estudo detectou que, quando a gripe aviária infecta pessoas, o vírus fica mais concentrado na garganta que no nariz, o oposto da gripe humana. Divulgada neste domingo, esta descoberta pode ajudar aos médicos diagnosticar mais rapidamente a gripe aviária em humanos.Menno de Jong, da Unidade de Pesquisa Clínica da Universidade de Oxford no Hospital de Doenças Tropicais, na cidade de Ho Chi Minh, no Vietnã, relatou que humanos com a gripe aviária detêm níveis muito mais elevados do vírus em suas gargantas que em seus narizes. Segundo Jong, é importante também identificar o vírus na diarréia e em outras secreções retal, pois esta é mais uma forma que a doença tem para se espalhar, e mostra a necessidade de se adotar medidas de controle."Nossas observações sugerem que o reconhecimento precoce e um tratamento desde cedo podem levar a um resultado mais eficaz", disse. Jong e seus assistentes compararam 18 pessoas infectadas com o vírus da gripe aviária conhecido como H5N1, com oito pessoas com gripe humana comum. "Nossas observações sugerem que o vírus H5N1 atinge níveis elevados, maiores que a gripe comum, no sistema respiratório, e que esta taxa elevada leva a uma intensa resposta inflamatória", explicou.Com a inflamação, o sistema imunológico faz com que os vasos sanguíneos permitam que produtos químicos e células sanguíneas vazem para áreas infectadas, para assim atacar a doença. Só que esta reação intensa pode causar danos maiores. "Dano extenso causado aos pulmões e, possivelmente, a outros órgãos são provavelmente provocados tanto pelo efeito direto do vírus quanto pela resposta inflamatória intensa do indivíduo infectado", disse Jong.O pesquisador declarou que sua equipe conseguiu detectar a gripe aviária no sangue das pessoas que morreram por causa da doença, mas não no sangue daqueles que sobreviveram à infecção."O vírus no sistema sanguíneo se concentra durante a passagem do sangue nos pulmões, onde acontece a maior parte da reprodução do vírus", constatou.Agentes de saúde temem que o vírus encontre uma forma de mutação que possa se espalhar facilmente entre pessoas, o que poderia causar uma epidemia global, e monitoram a movimentação da doença entre aves domésticas e outros animais.Pesquisadores estão estudando um modo de prevenção ou de bloquear o vírus, além de uma forma de tratamento. A doença já matou mais de 140 pessoas ao redor do mundo. A maior parte dos casos fatais ocorreu em famílias rurais na Ásia que vivem em contato com aves. O trabalho de Jong foi financiado pelo Wellcome Trust.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2006 | 14h02

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