Vírus do Ebola pode sobreviver no sêmen por cerca de 90 dias, diz OMS

Vírus do Ebola pode sobreviver no sêmen por cerca de 90 dias, diz OMS

Entidades recomendam uso de preservativos a sobreviventes

REUTERS

07 de outubro de 2014 | 16h09

O sexo pode manter a epidemia de Ebola viva mesmo depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma área livre da doença, disse um dos descobridores do vírus mortal nesta terça-feira.

A OMS espera anunciar até o fim desta semana que o Ebola foi erradicado da Nigéria e do Senegal depois de 42 dias sem infecções, período padrão para se declarar a extinção de um surto e o dobro do período máximo de incubação do vírus.

Entretanto, parece que a febre hemorrágica pode durar muito mais no sêmen.

“Em um homem convalescente, o vírus pode persistir no sêmen por até 70 dias; um estudo indica que podem ser mais de 90 dias”, afirmou a OMS em um boletim informativo na segunda-feira.

“Certamente, é preciso aconselhar os sobreviventes a usar camisinha, a não fazer sexo sem proteção, durante 90 dias”, disse Peter Piot, professor de Higiene e Medicina Tropical da London School e um dos descobridores do Ebola em 1976.

“Se fôssemos aplicar a regra para o dobro do período, seriam 180 dias – seis meses. Acho que isso (90 dias) provavelmente é um compromisso a se assumir, por questões práticas”, afirmou ele em uma entrevista coletiva em Genebra.

O Ebola é transmitido por fluidos corporais, como sangue e saliva, mas também foi detectado no leite materno e na urina, assim como no sêmen, disse a OMS. Mas o vírus inteiro e vivo jamais foi isolado a partir do suor.

Mais de 3.400 pessoas tiveram suas mortes por Ebola confirmadas no pior surto já registrado da doença, a maioria na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa, todos países do oeste da África.

(Reportagem de Tom Miles)

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