Vírus é o principal problema

Em tradicionais regiões produtoras, doença que endurece os frutos e os torna imprestáveis vem dizimando pomares

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2008 | 02h41

O problema da virose que ataca o maracujá, denominada ''vírus do endurecimento do fruto'', está dizimando os pomares de duas regiões que já foram as maiores produtoras no Estado. No Vale do Ribeira, a área plantada diminuiu 85%, passando de 600 para 70 hectares e a produtividade caiu de 20 a 25 toneladas por hectare para a média de 15 toneladas, registradas na safra deste ano.Do total da área plantada, cerca de 50 hectares estão localizados no município de Eldorado Paulista, que produz cerca de 750 toneladas por ano. Da produção total da região, apenas 30% são levados para a Ceagesp, na capital paulista, e o restante é vendido diretamente em redes de supermercados e sacolões da Grande São Paulo. ''A diversificação e principalmente a vinda das plantas ornamentais trouxe o vírus e outras doenças. Isso se juntou à falta de experiência de produtores que vieram de fora e tornou inviável a cultura'', relata o técnico agrícola Nelson Basílio da Silva, do Escritório de Desenvolvimento Rural de Registro.Em Adamantina, região oeste paulista, próxima de Pacaembu, a produtividade por hectare caiu, nos três anos, em 50%, passando de 6 para 3 caixas por pé. ''O que está compensando é o preço, que ainda está permitindo a permanência dos produtores no negócio'', diz o engenheiro agrônomo Takashi Yokoyama, da Casa da Agricultura local.INDÚSTRIAApesar da distância de São Paulo, que encarece o preço do frete, os produtores têm conseguido alcançar preços de até R$ 25 a caixa, na Ceagesp, para onde vai 70% da produção. ''Mas, dependendo do preço, às vezes compensa mandar para a indústria, que exige menos qualidade e não se importa com a aparência.''A produção anual do município, que já foi uma das maiores do Estado, alcançou 200 mil caixas, no auge da cultura, caindo para a produção atual, que está em torno de 120 caixas/ano. Naquela época, a produtividade média era de 2.500 caixas por hectare.''Técnicos da Apta - Agência Paulista de Tecnologia em Agronegócio, dos pólos de Presidente Prudente e daqui, estão buscando soluções para a doença e já existem alguns experimentos, mas nada comprovado cientificamente'', revela o agrônomo.

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