Vírus misterioso pode ter causado 4 mortes no Pará

As vítimas apresentavam vômito, diarréia, febre alta e pele avermelhada, com picadas de inseto

CARLOS MENDES, Agencia Estado

03 de setembro de 2007 | 18h03

Um tipo de vírus ainda não identificado, que mata em menos de 72 horas caso não haja atendimento médico imediato, pode ter sido a causa da morte de quatro crianças em Anajás, município ao norte de Belém, no Pará.   Para investigar as verdadeiras causas dessas mortes e evitar o aparecimento de novos casos, técnicos do Instituto Evandro Chagas (IEC) e da Secretaria Executiva de Saúde Pública (Sespa) viajaram hoje para a região. As vítimas apresentavam vômito, diarréia, febre alta e pele avermelhada, com picadas de inseto.   Segundo o bispo do Marajó, dom Luís Azcona, as mortes ocorreram num espaço de um dia após o aparecimento dos primeiros sintomas. "Foi uma coisa muito rápida, assustadora mesmo", comentou o bispo. Na sexta-feira, os primeiros exames realizados em duas das quatro vítimas excluíram a possibilidade de doença de Chagas, malária ou meningite. As quatro crianças moravam em locais diferentes na região de Anajás. Isso afasta a possibilidade de contaminação direta. O coordenador do Centro de Endemias da Sespa, Walter Amoras, adiantou que os técnicos passarão uma semana em Anajás analisando insetos que podem ser transmissores de doenças.   "Queremos saber se esses insetos estão infectados com algum tipo de vírus", explicou Amoras. A princípio, todos levantam a hipótese de malária, mas não descartam a possibilidade da presença de um novo tipo de vírus em Anajás. "Esses novos tipos aparecem a todo momento na Amazônia", disse Amoras. Para ele, o desmatamento faz com que os nichos ecológicos onde se abrigam os insetos sejam desfeitos, provocando graves conseqüências tanto para o meio ambiente como para as comunidades. Desde a sua criação em Belém, há 71 anos, o IEC descobriu mais de 300 novos tipos de vírus na Amazônia.

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