Visibilidade ruim impede busca de AF447;navio mercante acha peça

As buscas pelos corpos das vítimas e pelos destroços do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico há quase duas semanas com 228 pessoas a bordo foram interrompidas neste sábado devido às condições meteorológicas desfavoráveis, mas um navio mercante encontrou uma parte da aeronave, informaram autoridades.

REUTERS

13 de junho de 2009 | 19h10

"Hoje foi um dia de meteorologia muito ruim, nós tivemos que recolher todas as aeronaves que foram lançadas porque o mau tempo não permitia visualização", disse a jornalistas no Recife o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica.

"Não houve nenhuma missão de busca ao longo do dia", acrescentou.

Em comunicado, a FAB e a Marinha disseram que as condições meteorológicas deste sábado foram as piores desde o início das buscas pelo Airbus A330, que caiu na noite de 31 de maio durante o trajeto Rio de Janeiro-Paris.

As equipes de buscas do Brasil e da França já resgataram 50 corpos de vítimas do acidente, dos quais 41 estão no Recife para serem identificados por peritos do IML da capital pernambucana, com a ajuda de especialistas franceses.

Outros três corpos que estavam a bordo da fragata Constituição da Marinha do Brasil foram levados nesta manhã a Fernando de Noronha, onde passarão por uma análise inicial antes de serem conduzidos também ao Recife. Seis corpos foram resgatados por uma embarcação francesa e ainda não foram repassados aos militares brasileiros, informou a Marinha.

As embarcações brasileiras que participam da operação também tiveram um dia sem qualquer achado, de acordo com o comando das buscas, mas um navio mercante que passava pela área onde se concentram as procuras encontrou uma peça da aeronave.

"O navio mercante Gammagas, de bandeira Antiguana, realizando o trajeto Uruguai-Reino Unido, encontrou e resgatou parte da estrutura da aeronave acidentada, num ponto distante 415 quilômetros a noroeste do arquipélago de São Pedro e São Paulo", afirmou uma nota dos centros de comunicação da Marinha e da Aeronáutica.

Como não conseguiu contato por rádio com as embarcações envolvidas nas buscas, o navio mercante seguiu seu trajeto levando a peça, que será posteriormente entregue às autoridades francesas que investigam as causas da tragédia.

Os militares informaram na sexta-feira que, apesar da visibilidade ruim, aviões da FAB tinham avistado novos destroços do Airbus da Air France numa nova área de buscas, a oeste do ponto de concentração inicial -- que fica a 850 km a noroeste de Fernando de Noronha -- e que navios da Marinha foram direcionados a esse ponto.

No domingo, a fragata Constituição chegará ao Recife levando destroços e objetos pessoais recolhidos do mar na área de buscas. Entre as peças está uma parte da cauda do avião que é vista por especialistas como importante para a investigação.

Um técnico francês vai verificar as peças para avaliar se os destroços serão levados para a França ou se a perícia será realizada em território brasileiro.

(Por Pedro Fonseca)

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