Visto de assessores é recusado e Mugabe cancela viagem à ONU

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, foi forçado a cancelar uma viagem a Genebra para uma reunião da Organização das Nações Unidas esta semana depois que sua esposa e alguns de seus assessores tiveram o visto negado, informou a mídia estatal nesta quarta-feira.

CRIS CHINAKA, REUTERS

26 Outubro 2011 | 14h17

Países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, e a União Europeia impuseram sanções de viagem e financeiras sobre Mugabe e altos funcionários do seu partido ZANU-PF há quase uma década por acusações de violações dos direitos humanos e fraude eleitoral.

Mas as sanções, que Mugabe argumenta serem uma punição por sua apreensão e redistribuição de fazendas de proprietários brancos para zimbabuanos negros, tradicionalmente não são aplicadas para reuniões da ONU.

Na quarta-feira, o jornal oficial Herald disse que Mugabe, de 87 anos, cancelou uma viagem à Suíça para uma cúpula da União Internacional de Telecomunicações depois que sua mulher Grace, o chanceler Simbarashe Mumbengegwi, o principal porta-voz George Charamba e três outros altos funcionários do governo tiveram suas autorizações para viajar negadas.

Meios de comunicação privados no Zimbábue informaram que Mugabe tinha planejado viajar com uma delegação de 62 membros. O governo de Harare apresentou um protesto ao governo suíço e à Organização das Nações Unidas, segundo o Herald.

"Esta foi uma decisão extremamente lamentável e uma clara violação do acordo de base das Nações Unidas e do direito soberano do Zimbábue de determinar a composição da sua delegação," disse uma autoridade de política externa do país, segundo o jornal.

Um porta-voz da União Internacional de Telecomunicações disse que os convites foram enviados a todos os membros, mas que a questão do controle de fronteiras é de responsabilidade dos países anfitriões. Representantes de Mugabe não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto.

A embaixada suíça em Harare confirmou que alguns pedidos de visto tinham sido rejeitados, mas se recusou a comentar as acusações de que a Suíça havia adotado a posição da União Europeia sobre o ZANU-PF, mesmo não sendo membro do bloco.

A mídia estatal citou o porta-voz Charamba afirmando que o Zimbábue percebia a mudança de posição da Suíça como um sinal da mudança dos tempos e, sem dar detalhes, prometeu uma resposta diplomática adequada.

No passado, o ZANU-PF ameaçou confiscar empresas estrangeiras de países que apoiam sanções contra o Zimbábue, e agora está tentando forçar as empresas de mineração a transferir participações majoritárias para zimbabuanos negros.

No início deste ano o ZANU-PF lançou uma campanha anti-sanções, recolhendo assinaturas em todo o país, e as autoridades afirmam que em breve vão recorrer aos tribunais internacionais para contestar a legalidade das sanções.

Mugabe, que foi forçado a aceitar um governo de partilha de poder com seu rival Morgan Tsvangirai como primeiro-ministro, diz que as sanções contra o seu partido são ilegais e atingiram empresas estatais e a capacidade do Zimbábue de pedir dinheiro emprestado no exterior.

Críticos dizem que a recuperação econômica do Zimbábue de uma crise de uma década ,causada em grande parte pelas políticas do ZANU-PF, será lenta e difícil enquanto Mugabe persistir com seus controversos programas para dar poder aos negros.

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